A importância dos avós

A pandemia e respetivas medidas de segurança, determinadas pelas autoridades de saúde, afastaram, provisoriamente, os avós da restante família, em especial do contacto com os seus netos. Apesar das soluções encontradas para minimizar esta “desvinculação” forçada, tais como as novas formas virtuais de comunicação e as estratégias de convívio com distanciamento, o isolamento social e o desamparo emocional impactaram a saúde mental das famílias.

O desconfinamento gradual, previsto e desejado, é o período de reencontro entre as diferentes gerações. Convém realçar que um vínculo seguro entre avós e netos é um privilégio para todos, laço este, que deve ser lembrado, incentivado e protegido.

Os avós de hoje vivem mais tempo, são mais saudáveis e têm maior disponibilidade para a convivência com os netos. Estão numa etapa de vida em que podem aproveitar melhor o tempo passado com os netos, comparativamente ao tempo livre passado com os seus próprios filhos. Na relação com os seus “mais que tudo”, os avós podem assumir diferentes papéis: companheiros, conselheiros, educadores e até figura primária de vinculação.

Para os avós, o relacionamento com os netos proporciona muitos benefícios, sobretudo emocionais, onde a satisfação, alegria e diversão, transformam os momentos juntos em memórias especiais. O convívio com uma geração mais nova, estimula também uma certa “renovação pessoal”, pois sentem-se mais jovens e atualizados. Do ponto de vista social, os avós sentem-se úteis e valorizados, pela responsabilidade de cuidar de uma criança, demonstrando que a sua experiência de vida é válida e importante.

Para as crianças, a convivência com os avós estimula o seu desenvolvimento global. No âmbito emocional, os avós oferecem um porto seguro, amor, mimos, atenção e muita paciência. São uma referência familiar, fonte de histórias, guardiões dos segredos e das memórias da família. São eles que fornecem um sentimento de pertença, e que dão sentido à própria existência dos netos. Os avós refletem a disponibilidade de estar, escutar, encorajar e ainda transmitem conhecimentos e habilidades. A cumplicidade que se estabelece entre as duas gerações une e fortalece a família.

Em algumas situações, os avós, além de fonte de afeto, são o suporte financeiro da família, especialmente quando os pais estão desempregados. Não menos raro, alguns avós assumem, sempre que lhes seja possível e necessário, o papel de principais cuidadores, quando os pais estão ausentes ou incapazes (por morte, doença, divórcio, emigração, detenção) de cuidar das suas crianças.

Como é natural em todos os relacionamentos, nada é perfeito! Por vezes podem surgir dificuldades na relação entre avós e pais, devido ao excessivo envolvimento dos avós na vida dos netos. Por isso, é importante que os avós respeitem os seus filhos, no papel de pais, e que as crianças aprendam que pais e avós cumprem papéis diferentes, mas complementares.