As causas para o ressurgimento do extremismo são variadas, mas a solução para o mesmo tem que ser assente em três pilares fundamentais: burocracia meritocrática, condições para um crescimento económico sustentado e política externa assente no desenvolvimento económico.
Singapura constitui hoje o melhor exemplo de uma burocracia meritocrática, a qual permeia não só todos os órgãos do estado, mas também as próprias políticas económicas e sociais do país. O eleitorado português vive cansado dos concursos públicos "por encomenda", das políticas sociais que financiam o "politicamente correcto" e o subsídio-dependente em detrimento daquele que contribuiu com toda uma vida de trabalho. Onde está a meritocracia nisto!?
O modelo social de Singapura funciona nos seguintes moldes: "Cada geração deve ser responsável pelos seus próprios custos; Cada família deve ser responsável pelos seus próprios custos; Cada indivíduo deve ser responsável pelos seus próprios custos. Só depois de passar por estes três filtros é que alguém deve recorrer ao Governo para pedir ajuda."* Um estado social assente puramente na "subsídio-dependência" e que não incentiva a livre-concorrência, a livre-iniciativa e a pró-atividade dos participantes é uma sentença de morte à nossa Democracia.
Como tal, importa criar verdadeiras condições de crescimento económico em Portugal, as quais têm que assentar na simplificação do sistema fiscal e na forte redução da carga fiscal, só assim empresas e famílias terão maior renda para crescer, poupar (e investir), e, consequentemente, aspirarem melhores padrões de vida.
Portugal, em conjunto com a União Europeia, tem que optar pela diplomacia do crescimento económico e estabilidade política nos países e regiões emissores de refugiados e de imigrantes ilegais (social benefits shoppers), em detrimento da diplomacia de "exportação de valores" e de "total acolhimento". Na verdade, toda a UE (em conjunto com a China, e outros membros do G20 e do G7), deve procurar desenvolver projectos de interesse económico nos países e regiões acima referidos, só assim será possível criar condições para fixação da população migrante que atualmente chega às economias mais desenvolvidas, as quais têm primeiro que resolver problemas internos concretos antes de se aventurarem no messianismo do "politicamente correto".
"O objectivo do estado social deve ser eliminar, tanto quanto possível, a necessidade da sua própria existência." - Ronald Reagan, 40.º Presidente dos Estados Unidos da América.
*Não pretendo aqui descrever o pleno funcionamento do modelo de estado social de Singapura, o qual funciona com sucesso (e com cada vez menos subsídios) há mais de 30 anos, para isso recomendo a leitura do documento "Social Policy in Singapore: A Confucian Model?" por Habibullah Khan, publicado pelo World Bank Institute.