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Promotores dos festivais de música encaram um público mais exigente

Data de publicação
13 Junho 2026
14:47

O público dos festivais de música está mais exigente e os promotores têm mais “dores de cabeça” em garantir rentabilidade e em manter a qualidade, disse hoje à Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Festivais de Música, Ricardo Bramão.

Com o início do verão, a época do ano que concentra maior número de festivais e eventos de música, o presidente da Aporfest reconhece, em entrevista ao ‘podcast’ Lusa Extra da agência Lusa, que um promotor tem de “ter cuidado nas acessibilidades, na sustentabilidade, no modo como comunica, no modo como realiza o cartaz, se está equiparado, se tem a questão da igualdade de género lá colocada”.

“O público está mais exigente, o público hoje também tem a perceção do que se faz lá fora: Inserir boas práticas, inserir bons comportamentos. Hoje para fazer festivais não basta só ter um palco em cima, bares”, sustentou.

De acordo com os dados mais recentes da Aporfest, 2025 foi um ano recorde e “atípico”, com a realização de 557 festivais de música – um número que é enquadrado por Ricardo Bramão por ter sido ano de eleições autárquicas.

“Neste ano certamente esse número não será ultrapassado e temos uma ideia de que ficará ao nível do ano anterior”, que rondará os 300 festivais de música anuais, disse o presidente da Aporfest, sublinhando uma tendência de crescimento de festivais de música eletrónica.

Ricardo Bramão alerta que o setor dos festivais e eventos de música é “extremamente concorrencial” e que “não existe nenhuma outra área de negócios em que tenha concorrência pública, associativa e privada”, com a coexistência de festivais produzidos por empresas ou por municípios, por exemplo.

Quando questionado sobre o aumento generalizado do preço dos bilhetes, Ricardo Bramão refere não só o aumento dos custos de produção, por via da atualidade geopolítica internacional, como também uma competição na contratação de artistas com mercado potenciais como os asiáticos.

“Hoje é muito mais difícil realizar um festival de música; [o promotor] tem muito mais dores de cabeça do que era antes e a rentabilidade também não vai ser a mesma. Portanto, também temos que ver aqui o outro lado daquilo que é. E o promotor, a última questão que quer é aumentar os bilhetes, porque sabe que vai ter resistência e sabe também que o contexto é diferente”, disse Ricardo Bramão.

Há ainda o cumprimento de legislação, a aplicação de regras sobre acessibilidade ou sobre bilhética ou ter capacidade de assegurar, a longo prazo, o apoio de patrocínio junto de grandes empresas.

“Se estamos num mercado global, Portugal fica um bocadinho mais pequenino. Os promotores estão a trabalhar a longo prazo, não tanto a médio prazo, para obter o financiamento para os seus eventos. [...] É impossível hoje preparar um médio festival com nove meses ou um mês de antecedência para ele ser bem-sucedido”, disse.

Segundo a Aporfest - que representa cerca de 800 associados - os festivais de música somaram 2,6 milhões de espectadores em 2025, com o festival NOS Alive (em julho em Oeiras) a liderar com 165 mil entradas.

No ano passado, julho foi o mês mais preenchido, com a realização de 117 festivais de música, seguindo-se agosto com 88 eventos e junho com 69.

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