Repor o PSD

Pertencendo aos tempos da fundação do Partido Social Democrata e com o meu empenhamento de todos estes anos, hoje, bastante preocupado, deparo-me com a sua posição na complexidade do actual quadro político português.

O País a atravessar o momento mais grave e difícil desde a aprovação da Constituição em 1976.

Tenho uma grande Amizade pessoal para com Rui Rio. Admiro-Lhe a firmeza nos Princípios e nos Valores, bem como o Seu humanismo, inteligência, patriotismo e humildade.

Portanto, não está em causa a Lealdade que Lhe devo, mas é urgentíssimo que o Partido Social Democrata mude.

Sempre seguindo Francisco Sá Carneiro, no entanto fui ficando isolado na luta contra o Sistema Político. Luta com o objectivo de reforçar o Regime Democrático.

O emburguesamento da "classe política", também no PSD, trouxe o Partido a um situacionismo - principalmente com Passos Coelho e seus teóricos da "praga grisalha" - sem inteligência para sair do culto do "politicamente correcto".

Em vez de liderarmos a transformação do Sistema Político, por dentro como sempre defendi, hoje temos uma pseudo-"esquerda" troglodita que sacraliza cega e conservadoramente a Constituição de 1976. Assim, nestes tempos complicados, empurra-nos para o abismo.

O triunfo irresponsável do "politicamente correcto" salda-se, hoje, em metade dos Portugueses normalmente não votar, claramente alérgicos à situação política em Portugal.

E, desta maneira, deu-se espaço para a extrema-direita monopolizar as motivações e necessidades de tantos Portugueses!...

Claro que, agora, também o PSD nacional paga o preço das suas retracções pequeno-burguesas, dondocas, ante o "politicamente correcto".

Ora, impõe-se saber convencer com racionalidade a metade dos Portugueses que não votam. E tal começa por um nosso compromisso sério e credível de, sempre em Regime Democrático, alterar o Sistema Político.

Propósito imediato, já, agora, antes que os extremos políticos captem o MEIO PORTUGAL que não adere ao presente estado de coisas.

Pelo que proponho uma estratégia para o PSD nacional, assente nos sete itens seguintes:

1. Num retorno às origens e a Sá Carneiro, ser o PSD a se reassumir como o principal e único viável Partido anti-Sistema Político, pressionando uma revisão constitucional para aperfeiçoamento e defesa do Regime Democrático.

Lembro que o PSD/Madeira nunca foi penalizado por ter essa orientação...

2. Em todo o território nacional, desencadeamento de uma Doutrinação Política efectiva sobre a Social-Democracia moldada no Personalismo - Primado dos Direitos Fundamentais da Pessoa Humana sobre o Estado e as restantes Instituições - com exorcismo firme dos orçamentalismos e do genocídio social de 2011.

3. Intervenção PERMANENTE e AGRESSIVA contra a incompetência, as contradições e o descalabro dos Governos Costa.

Se o PSD fôr objecto de CENSURA, denunciá-la publicamente, prioritando também o tema do controlo e manipulação da comunicação social em Portugal. Assim procedeu Sá Carneiro. Bem como o PSD/Madeira, que nunca se incomodou com as incontáveis represálias.

4. Propor e demonstrar a inevitabilidade, a LEGITIMIDADE e a absoluta necessidade de um Governo de Salvação Nacional, com os Partidos democráticos, dada a situação económico-social de Portugal piorar de dia para dia e o País ter caído para a cauda da Europa mesmo antes do COVID. Absolutamente indispensável para os Portugueses segurarem o Estado Social.

5. Presença mais forte, mais interveniente e sobretudo prestigiada, nas Instituições Europeias, o que não é o caso português actual.

Não hesitar na construção de um federalismo europeu.

6. Liderar uma imediata regionalização do Continente, já pronta na Assembleia da República, chamando ao Partido - ou à colaboração conosco - as Élites em cada Região favoráveis a este objectivo de dignificação da Pessoa Humana, de Justiça Social e de modernização eficiente do País.

A par, como nos tempos de Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Cavaco Silva e Durão Barroso, reassumir-nos, em termos absolutos, como "Partido das Autonomias". Fazendo frente ao centralismo jacobino dos socialistas e ao colonialismo subjacente às lógicas comunistas e da extrema-direita.

7. Internamente, reorganizar o Partido.

O PSD não precisa de muitos Filiados. Precisa, sim, da Confiança da MAIORIA REAL dos Portugueses.

O PSD não é uma agência de empregos. É um espaço de Trabalho e de Coerência Ideológica militante.


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Uma proposta como esta, sei que enfrentará as barreiras da censura, dificilmente chegando com Liberdade à Opinião Pública portuguesa.

Mas, "petit à petit, l'oiseau fait son nid"...