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Artigo de Opinião

11/06/2024 06:00

10 de Junho foi Dia de um Portugal que, apesar de conquistada a Democracia, desleixou o futuro, está na cauda da Europa, trocou o Estado Social por um Estado assistencialista para os políticos poderem “comprar votos”, e encontra-se cada vez mais mediocratizado também politicamente.

Um dos males tornados crónicos com que a Assembleia Constituinte de 75-76 logo infectou o regime democrático, foi a institucionalização do monopólio dos Partidos políticos nas candidaturas para o Parlamento Europeu, para a Assembleia da República e para as Assembleia Legislativas dos Açores e da Madeira.

Isto é, o monopólio dos Partidos na definição do Governo da República, dos Governos das Regiões Autónomas e da representação parlamentar portuguesa em Bruxelas.

Então para a eleição das Autarquias Locais, limitadas a um mero poder regulamentar, com Portugal Continental nem sequer regionalizado, ficou o rebuçado - mas só para esse sufrágio - de uma possibilidade, alternativa aos Partidos, da constituição de “grupos de cidadãos” nos termos das respectivas condições legais apertadas.

Só para o Presidente da República é que a mal começada e mal conseguida “classe política” não tinha outra opção à que está em vigor, por então o Povo português não permitir qualquer solução, senão o sufrágio universal.

Porém, hoje, a relaxação e a apatia cívicas são tão grandes, que até não me admiraria que muitos portugueses aceitassem qualquer barrete.

Mas claro que os “proprietários” da Nação neste caso sentem-se seguros porque são necessárias muitas assinaturas para alguém se candidatar a Presidente da República.

Porém, Caros Leitores, a “jogada” dos controleiros dos indígenas pátrios não ficou por aqui.

Ora, para que o monopólio dos Partidos funcionasse, em termos de fazer todos-poderosos os que pelos seus “feitos” e “artes” se conseguem entronizar “dirigentes partidários”, os construtores do Sistema Político que gramamos sem nunca tê-lo referendado, impediram a existência de círculos eleitorais uninominais.

Os círculos uninominais permitem os Cidadãos eleitores estabelecer relações de responsabilidade mútua com a pessoa do seu Deputado, único eleito no círculo onde votam.

E porque é que esta “classe política” não quer os círculos uninominais?

Não os quer, porque preferem que a relação dos Eleitores seja com os Partidos e não se faça com a pessoa que venha a ser eleita Deputado no seu círculo eleitoral uninominal.

Para garantir o império difuso da estrutura Partido.

Claro que uma Nação não é uma soma de círculos uninominais. A Nação é um Todo.

Por isso, exemplo a Alemanha, os Eleitores votam num boletim para um círculo nacional que elege um conjunto de Deputados. E, ao mesmo tempo, vota noutro boletim que elege a pessoa do Deputado que quer que represente o seu círculo eleitoral. E mesmo que o eleito não seja aquele em quem votou, sabe quem é o Deputado a quem se deve dirigir para apresentar as suas questões legítimas.

Ora, em Portugal, ao montar o Sistema que aturamos, os Partidos de certo modo desresponsabilizaram-se num nevoeiro genérico, enquanto cada Eleitor ficou a perder, sem saber como quem falar.

Depois, a substituição da Política de Causas pela actual “política dos interesses”, mormente na transição do século XX para o XXI, acelerou a maldade instalada. Na geração que se seguiu à minha, importante parte dela entrou jovem para as estruturas partidárias e fizeram disto profissão, imediata ou futura.

Percebera-se o poder pessoal que advinha da posição de dirigente partidário, montado que assim estava o Sistema Político.

E, então, assiste-se às lutas pelo poder dentro dos Partidos. Porque só tal poder dá poder sobre Portugal.

Atropelam-se uns aos outros. Deslealdades fazem caminho. Inscrevem no Partido e pagam qualquer despesa inerente - ou até mais - a gente que nem no Partido vota quando de eleições gerais, mas que desta forma, embolsando gorjetas, votam conforme o pagador manda. Criam-se “tachos”, empregos e subsidiodependências, pessoais e associações, que a tudo se vergam com medo de perder a prebendas.

O que permite ao poder do dinheiro vingar sobre Ideologias, Valores, Éticas de comportamento.

Sobretudo permite que os medíocres vão tomando conta dos Partidos e do poder político no País. Enquanto sobretudo as Elites, Trabalhadores, Empresários, Universitários, Técnicos, Cientistas, Gente dos Artes e da Cultura, etc., vão eticamente se afastando da Política.

O que explica o estado a que Portugal chegou!

E há mais.

Paga-se mal aos titulares dos cargos políticos, para que os Portugueses mais capazes, normalmente melhor assalariados ou compensados, não se queiram sentir atraídos para uma vida política em que são “despidos” na praça pública,

Campo aberto aos medíocres.

Ainda mais. A “classe política” instalada vem inventando “incompatibilidades”, umas atrás das outras, para assim afastar de Política os Portugueses mais capazes.

E o situacionismo político português, da “direita” radical à “esquerda radical”, boicota imprescindíveis reformas políticas, não vá o aperfeiçoamento do País interessar as Elites na “res publica” e as mediocridades serem corridas.

Ainda agora - veja-se!... - andam preocupados (para entreter...) com a criação de um dispensável e confuso “círculo de compensação”. Mas círculos uninominais, atração das Elites, diminuição do número de Eleitos, pagos e quase todos desconhecidos pelos seus Eleitores, o fim do monopólio das candidaturas partidárias, ah!, lá isso, não!

Este é o Portugal “político” a que chegámos em Junho de 2024, cinquenta anos após o 25 de Abril e 25 de Novembro que tanto prometiam!...

Um Portugal nem sequer minimamente preparado para as graves crises internacionais que crescem em número e se agravam bem à frente dos olhos dos Portugueses!

MUDAR é a “palavra de ordem”. Rápido e a todo o custo!

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