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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

10/09/2023 07:00

O arcebispo Paolo afirmou que as razões do encontro foram múltiplas, a principal das quais, foi a presença de uma nova geração de jovens que, pela primeira vez, pensaram participar na JMJ, mas devido à situação de guerra, os impediu de estarem nas Jornadas Mundiais da Juventude de Lisboa, criando neles um sentimento de culpa ou falta de preparação, sentiram-se excluídos de participar num acontecimento deste género.

Em contacto com o seu bispo, devido serem católicos, gostariam de ver o Papa Francisco, mas não lhe era permitido entrar na Rússia, e eles sentiram a dificuldade de sair do seu país e não participar na alegria e felicidade de mais de um milhão de jovens que entraram em Portugal.

Certamente que o arcebispo Mons. Paolo Pezzi, conhecia a situação difícil que estes jovens sentiam e que a culpa não era deles, mas da situação belicosa que tomara Moscovo ao invadir a Ucrânia.

Compreendemos também a situação do Papa Francisco e do seu grito evangélico de

uma igreja aberta a "todos, todos, todos". Então a estrangeira mulher cananeia, que tinha a filha doente e corre atrás de Jesus a pedir-lhe a cura da filha, apesar da resposta negativa de Jesus, não recua quando o Mestre lhe diz que não é lícito dar o pão dos filhos aos estranhos. Cheia de dor e de fé diz a Jesus que os cachorrinhos também comem das migalhas que caiem da mesa dos senhores. Jesus responde-lhe que não tinha encontrado tanta fé em Israel, e curou-lhe a filha.

Não sei se o Papa Francisco recordou esta cena extraordinária da estrangeira de Canaã, mas atendeu ao pedido do arcebispo de Moscovo através de uma vídeo conferência.

Os jovens compreenderam que o Papa tinha acedido ao seu bispo, estava ali com eles, procurou dizer-lhes umas palavras em língua espanhola. O bispo auxiliar, Mons. Nikolaj Dubini, deu aos jovens um resumo das palavras do Papa em russo.

Mons. Paolo Pessi, durante a missa conclusiva, recorda o que disse o Papa aos jovens, a amizade com Cristo e entre eles, para tomar a vida a sério que dá a cada pessoa uma vocação.

A política e a imprensa internacional leram como "propaganda imperialista", as palavras do Papa Francisco, para "não esquecer a sua identidade, a guardar a herança da grande Rússia, dos santos, dos reis, a grande Rússia de Pedro o Grande, de Caterina II, do império russo grande e culto, de tanta cultura, de tanta humanidade".

Os vértices ucranianos falam de "propaganda imperialista", em relação ao presidente Putin. Duras foram também as reações do líder da igreja greco-católica e do embaixador ucraniano junto da Santa Sé. Da parte do Vaticano, explicou Matteo Bruni que: "o Papa queria encorajar os jovens a conservar e promover quanto de positivo existe na grande herança cultural e espiritual russa e, certamente, não exaltar lógicas imperialistas e personalidades do governo, citados para indicar alguns períodos históricos de referência". Quando o Papa fala da Grande Rússia refere-se à tradição cultural e religiosa. De facto, não posso esquecer a literatura russa, os seus grandes músicos, o ballet clássico, os seus museus e, principalmente, a divina arte dos ícones.

As palavras do Papa foram para inspirar confiança nos jovens, aquilo que o Papa sempre repete, o passado é a nossa riqueza, a nossa identidade, ocorre um diálogo entre as gerações para edificar pontes e olhar com esperança e abertura ao futuro. Diz o grande Pégui, "que Cristo não condenou o império romano pelas suas invasões, Cristo simplesmente fez o cristianismo". O Papa já dissera aos jovens em Lisboa, não cultiveis o medo, sede jovens de esperança, e alguma coisa sobre a própria tradição se deverá dizer.

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