MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Professor

13/03/2023 08:00

Compreendo também o desconforto do Marítimo, e já ouvi o mesmo do Nacional, ao saber que no seu estádio, aqui na Região, há mais espetadores a torcer por um clube lisboeta do que pelo denominado, e com justiça, o maior das ilhas. Mas as coisas são o que são. Não é um fenómeno regional. Passa-se o mesmo por todo o País.

E não compro a premissa de que todos os madeirenses deveriam ser do Marítimo ou do Nacional. Já agora, porque não serem todos da minha ADM. Haverá algum valor que justifique essa pretensão funchalense? Acho que não.

Vem isto a propósito da visita do Benfica à Madeira, num jogo crucial para ambas as equipas. Uma para ser campeã, outra para não descer de divisão. Um acontecimento de exceção, mobilizador de duas dezenas de milhar de pessoas, que não deveria ficar marcado, até manchado, pela intimidação que se quer transmitir àqueles que não vão aos Barreiros com intenção de apoiar a equipa da casa. Classificando-se o jogo de alto risco. Comunicando-se que os adeptos e simpatizantes do Benfica não podem, na liberdade que lhes é devida por lei, ostentar qualquer tipo de adereço do clube lisboeta, fora da reduzida bancada destinada aos visitantes.

E não me venham dizer que é por uma questão de segurança. O que também seria grave e contra a imagem de terra civilizada, cosmopolita e desenvolvida que a Madeira quer e deve projetar. Sabendo-se, no entanto, que tudo não passa de uma manobra para anular uma incómoda realidade. Na Madeira, o Benfica é maior do que o Marítimo. O que a mim, que sou da ADM, não me espanta nem incomoda minimamente, sabendo da implantação nacional deste clube.

Tudo isto é confirmar que o futebol ainda é um mundo maluco. Que aqui vale tudo o que a sociedade não tolera em outros sectores. Um mundo onde o tribalismo chega a ser medonho e lugar onde desaguam as mais diversas frustrações. E os clubes pouco ou nada fazem para dignificar o evento. Andamos a falar disto há décadas.

Há todo um jogo de sombras alimentado pela comunicação social do sector, pelas direções dos clubes e pelas claques de adeptos. E a tudo isso o governo vira a cara, como quem diz, o que é do futebol fica no futebol. Há que deixar o povo descarregar raivas e desencantos nas derrotas e explodir de alegria nas vitórias. Perpetua-se no campo desportivo um conjunto de maus comportamentos que se quer erradicar de uma sociedade dita moderna.

Compreendo a inquietação dos maritimistas perante a real possibilidade de despromoção, mas quem joga são as equipas, os jogadores e os seus técnicos. Os espetadores ajudam, mas não são decisivos.

Para conquistar os adeptos madeirenses há que seduzir os jovens e não estou a ver qual vai ser o tipo de simpatia que um, ou uma, jovem madeirense vai ter no futuro pelo Marítimo depois de ter sido impedido de usar um cachecol ou uma camisola pela qual tem afeto ou de exibir um cartaz a pedir a um jogador do Benfica que lhe dê a camisola.

PS. Escrevo este apontamento antes do jogo. Ainda espero que esta intenção não seja levada por diante. Veremos. Veremos até o quanto será respeitada.

OPINIÃO EM DESTAQUE
Coordenadora do Centro de Estudos de Bioética – Pólo Madeira
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A finitude da vida é um tema que nos confronta com a essência da nossa existência, levando-nos a refletir sobre o significado e o propósito da nossa passagem...

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