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Artigo de Opinião

25/08/2023 08:00

Todavia, há pessoas que fazem do cinismo um modo de vida. Há quem, de forma constante, adote uma atitude de desconfiança, hostilidade e desprezo perante os outros, as suas ações e as suas motivações. Que de forma reiterada, rejeite qualquer ideia, opinião ou informação que venha do outro lado. Que rejubile com o mal do seu semelhante e esteja sempre a torcer pelo pior. Que não se consiga focar nas coisas boas da vida e do mundo, emprestando uma atitude negativa a tudo o que os rodeia, recusando e desprezando o sucesso do outro que, muitas vezes, é o seu próprio sucesso.

Pessoas assim são transversais a todos os sectores da sociedade: desporto, cultura, economia, comunicação social, política.

Vimos isso, aquando das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), nas muitas críticas aos custos associados, como se um evento para mais de 1 milhão de pessoas pudesse ser organizado com 5 patacas. Mais, muitas dessas críticas vieram de agentes culturais, que vivem permanentemente de mão estendida para o erário público (como o tal do Bordalo II), produzindo eventos que ninguém assiste. Nas JMJ, também vimos muita gente a desejar o fiasco ao nível de segurança, independentemente do prejuízo que isso pudesse causar à reputação e imagem do país. Como foi um sucesso, lá apareceram uns cínicos fascistas a inventar supostas "invasões" de migrantes, na sequência das JMJ.

Ou o cinismo desse mesmo partido manifestamente xenófobo que vai à festa de uma comunidade criticar os imigrantes, desconhecendo que a nossa economia e a própria sociedade precisam de imigração como de "pão para a boca". Ou são cínicos ou ciclópicos ignorantes. Pretendem criar fraturas e tensões artificiais inexistentes na sociedade madeirense, que convive muito bem com o multiculturalismo que aqui se vive.

Também há a atitude cínica daqueles que acham que temos demasiado turismo. Todas as regiões turísticas do mundo digladiam-se por aumentar a sua quota e aqui parece que queremos diminuir. Uns dizem que é turismo de "pé descalço", outros que está a desvirtuar o destino. A verdade é que desde a pandemia duplicámos o número de dormidas e o RevPAR, os proveitos de aposento por quarto disponível, no conjunto do alojamento turístico aumentou 21,9%. Quem não tem de pagar vencimentos, pode se dar ao luxo de criticar nos cafés, nas redes sociais, nas caixas de comentários dos jornais.

Ou aqueles cínicos que criticam as políticas de educação da Madeira. Passámos anos a lamentar a fraca penetração das tecnologias de comunicação e informação (TIC) na educação, atendendo ao seu potencial para "engajar" os alunos para o processo ensino-aprendizagem. Aproveitando o que se aprendeu com a pandemia, fez-se uma revolução nesta área, universalizando manuais digitais, num processo que tem corrido de forma muito satisfatória para escolas, famílias e docentes, e eis que aparecem os cínicos a insinuar que é demasiada exposição a estas tecnologias. Ou aqueles que fingem não saber que a Madeira é dada como um exemplo, em matéria de Educação, até por sindicatos de professores.

Também há os cínicos supostamente defensores do pluralismo democrático, que propõem debates a dois em eleições disputadas por 11 organizações políticas. E falam como se o desafiado, que carrega 40 anos de experiência e vitórias, tivesse algum receio de se bater mano-a-mano com o mais fraco líder que o PS-M já alguma vez teve.

Que são da mesma estirpe daqueles que dizem que na Madeira está tudo mal e que boas são as políticas socialistas do governo de Costa, até em saúde. Numa semana onde o caos grassa por quase todos os hospitais do país, por falta de médicos, de enfermeiros, de assistentes, de camas, de macas, de ambulâncias.

E aqueles cínicos que defendem a alternância democrática como se esta fosse uma virtude em si mesma, esquecendo que é a oposição que tem de se constituir como alternativa viável e válida e que se, na Madeira, nunca houve alternância, isso deve-se exclusivamente à oposição, que não soube apresentar essa alternativa ao povo madeirense.

Há aqueles - autodenominados - "líderes" que, de fracos, fraquíssimos, afastam as pessoas competentes para não evidenciarem a pobreza intelectual, a impreparação, a incompetência. Marionetes de utilidade pontual, em lugares a prazo, descartados à primeira oportunidade por incapacidade e por não serem estruturais ou estruturantes.

Ou aqueles que berram a plenos pulmões que estão nas organizações pelo bem comum, quando, na realidade, apenas lá estão para salvaguardar o seu lugarzinho e os seus interesses pessoais, recorrendo frequentemente a tácticas como a manipulação, a conspiração e a intriga. De todos os cínicos, os intriguistas são capazes de ser os piores, pela absoluta ausência de ética e moralidade. E são aqueles que mais medram na política. Gente que utiliza estratégias obscuras, que criam falsas narrativas para obter confiança, que enganam, que exploram fraquezas para obter vantagens pessoais.

De facto, o mundo está cheio de cínicos. E se quisermos manter alguma sanidade mental, temos de os reconhecer e identificar. Temos de deixar de ser vítimas incautas de pessoas que fazem deste o seu estilo de vida. Mais importante ainda, em alturas decisivas, como vésperas de eleições. Que saibamos dar resposta a todos estes cínicos no dia 24 de setembro!

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