MADEIRA Meteorologia

Artigo de Opinião

Economista

3/12/2022 08:00

É certo que o Porto do Funchal recentemente ganhou um galardão dos World Cruise Awards, sendo distinguido como "Melhor Destino Europeu de Cruzeiros". Contudo, existe um outro Top10 onde figura o Porto do Funchal, nomeadamente a lista dos portos que mais sofrem com a poluição emitida por cruzeiros. O Funchal é a 7ª cidade europeia mais afetada, com 18 toneladas de emissões de óxido sulfúrico (SO3), figurando assim acima de cidades como Lisboa, Livorno e Santa Cruz de Tenerife.

Estas emissões são nocivas devido à contaminação por partículas finas que penetram com maior profundidade nos pulmões. Ainda recentemente a Agência Europeia do Meio Ambiente (AEMA) clarificou que essa contaminação por partículas finas causou a morte prematura de 238 mil pessoas na União Europeia em 2020. É por isso que muitas associações ambientais reclamam por extensões das zonas de controlo de emissões no setor marítimo como existe nos Mares do Norte e do Báltico. Proteger o ar que respiramos no Funchal não só defende a saúde dos nossos habitantes como promove um destino turístico que cada vez mais vive da sustentabilidade ambiental e do património natural da Laurissilva.

Importa assim que a nível europeu se coloque exigências ambientais redobradas sobre um sector que já beneficia amplamente de efetiva subsidiação. A Associação Zero chama a atenção para o facto do sector marítimo estar isento pela legislação da UE de pagar impostos sobre o combustível que consome.

Sinal de esperança são presenças regulares de cruzeiros no Funchal como o AidaNova, que tem um sistema que reduz as emissões de óxido de nitrogénio e é movido a gás natural liquefeito. Assim, a questão fundamental não é fazer desaparecer os cruzeiros, mas sim, promover a sua descarbonização. Algo que se torna tão ou mais urgente perante o impacto que tem em diversas cidades portuárias (como o Funchal). Se queremos proteger este anfiteatro, seria de incentivar a discussão sobre como reduzir as fumarolas que prejudicam a saúde pública e a vista sobre a nossa cidade.

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