A GENUS - Associação de Defesa do Património da Madeira manifestou hoje preocupação com a situação de perigo que ameaça a Capela de Nossa Senhora da Vida, na Calheta.
Através de uma nota enviada às redações, a associação revela que “tem acompanhado de perto a situação em que a Capela se encontra, manifestando a sua preocupação com o avanço da degradação visível”.
“Mantemos a esperança de que as entidades competentes e os respetivos proprietários possam agir com brevidade, assegurando a preservação e valorização deste importante testemunho do património religioso da Madeira”, pode ler-se na nota assinada pelo presidente da GENUS, Tomás Freitas.
Lembrando a importância histórica, o responsável considera que a salvaguarda da Capela de Nossa Senhora da Vida é “indissociável da defesa do património cultural madeirense, exigindo uma resposta célere e articulada que reconheça o seu valor histórico, arquitetónico, simbólico e territorial, em conformidade com os princípios que norteiam a intervenção da GENUS – Associação de Defesa do Património da Madeira”.
Leia o comunicado na íntegra:
”A Capela de Nossa Senhora da Vida representa um testemunho singular da religiosidade popular e da ocupação histórica do território na Fajã do Mar, integrando-se numa paisagem cultural moldada pela relação entre fé, caminho e sobrevivência.
Trata-se de uma capela maneirista, de planta longitudinal simples, com sacristia adossada ao lado direito, erguida numa pequena eminência sobranceira ao mar, no sítio da Fajã do Mar, tendo sido fundada por Inês Teixeira, em data hoje desconhecida.
A sua proximidade à antiga Estrada Real 23 confere-lhe um valor acrescido, enquanto ponto de referência espiritual e patrimonial associado a um dos mais antigos e estruturantes eixos de mobilidade pedestre da Madeira, utilizado durante séculos para ligar comunidades, escoar produtos e afirmar a coesão social da ilha.
Historicamente muito frequentada por marinheiros e pescadores, que ali acorriam para pedir proteção contra os perigos do mar, esta capela encerra uma forte dimensão simbólica ligada à vivência costeira e à relação das populações com o oceano.
A sua eventual perda representaria não apenas o desaparecimento de um edifício religioso, mas também o empobrecimento irreversível da leitura histórica e da memória coletiva das comunidades que a construíram, usaram e preservaram.
A salvaguarda da Capela de Nossa Senhora da Vida é, por conseguinte, indissociável da defesa do património cultural madeirense, exigindo uma resposta célere e articulada que reconheça o seu valor histórico, arquitetónico, simbólico e territorial, em conformidade com os princípios que norteiam a intervenção da GENUS – Associação de Defesa do Património da Madeira.
A GENUS tem acompanhado de perto a situação em que a Capela se encontra, manifestando a sua preocupação com o avanço da degradação visível. Mantemos a esperança de que as entidades competentes e os respetivos proprietários possam agir com brevidade, assegurando a preservação e valorização deste importante testemunho do património religioso da Madeira.”