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Artigo de Opinião

Diretor

19/01/2026 08:05

Seguro ou Ventura? Um deles será o próximo Presidente da República de Portugal depois da segunda volta, marcada para 8 de fevereiro. Ontem, ganharam os dois.

António José Seguro surpreendeu os mais céticos, superou largamente as sondagens e ganhou a maior parte do País.
André Ventura confirmou expetativas, alargou a base de apoio, agiganta-se perante o PSD e chama para si a liderança da direita.
A meio da tabela fica João Cotrim de Figueiredo. Arrancou do fundo e foi ultrapassando quase todos. Conquistou um espaço maior do que o partido que o apoiou, mas fica por aqui nestas eleições.

Maior, bem maior, é a lista dos derrotados onde se destacam Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes. O almirante partiu do topo, mas correu cedo demais. Fez-se difícil até perceber que tinha caminho para andar e deitou tudo a perder na reta final. Já o comentador ficou esmagado pelos adversários e foi perdendo força numa campanha cinzenta e sem alma.
Claro que também perderam quase todos os outros candidatos, sobretudo os de esquerda. Não corriam para ganhar, mas para conquistar espaço político-partidário. Falharam claramente e têm de correr atrás do prejuízo.

Por cá, também há vencedores e vencidos. André Ventura e seus apoiantes ganharam folgadamente. Com isso, conquistam espaço e peso político que pode ser determinante noutros momentos.
No outro lado da balança estão os social-democratas madeirenses que perderam como nunca se tinha visto. Perderam os que apoiaram Marques Mendes, como Miguel Albuquerque. Mas perderam também os que se dividiram entre Gouveia e Melo e Cotrim de Figueiredo. Perderam todos, em todos os concelhos e em 45 freguesias. Em 50 anos, nunca o partido do Governo viu algo assim.
Entre a oposição, também não há grandes razões para festejar. O JPP esteve ausente de todo este processo eleitoral e o PS voltou a deixar-se ultrapassar, agora pelo Chega. Resta a sensação de inversão de trajetória e de estar do lado do vencedor.

Dirão todos, vencedores e derrotados, que estas foram eleições diferentes. Que o povo sabe escolher. Que não se pode generalizar. Pois sim. Mas este resultado deixa portas escancaradas para o que era visto como o inimigo comum, tanto à direita como à esquerda. Uns e outros talvez ainda não tenham percebido, mas esse adversário, que começou por meter o pé na sala, já entrou na casa. E fechou a porta.

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