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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

3/10/2021 07:00

Encontrei no Semanário "A Defesa" da Diocese de Évora uma "Opinião" e muita sabedoria, do diretor e Bispo Emérito Manuel Maria Madureira, com certo humor inteligente que, pedi ao autor "permissão" para reproduzir, na minha página dominical do J. M., o que faço pela primeira vez A Opinião do Bispo Emérito Dom M. Madureira, reflete mais uma mentalidade do Alentejo, não sendo estranha a outras terras portuguesas, daquém e dalém mar!

"De entre todas as atividades humanas, aquela que sempre deu mais nas vistas, que sempre trouxe maior fama, foi a atividade política. Comparada com ela, a riqueza fica a léguas de distância, porque existem pessoas riquíssimas que são quase desconhecidas. É o mesmo com o vedetismo, porque nos ocupamos das vedetas só em certos momentos, enquanto que o político está sempre presente nas televisões e nos jornais e na nossa vida quotidiana. O político tem o poder final, é ele que toma as decisões com que satisfaz ou não satisfaz as nossas pretensões e desejos. Mesmo a um nível mínimo de poder local, é ele com os seus assessores e com os seus técnicos que decide se nos será concedida ou não aquela autorização, se será feita aquela estrada, ponte, e será tornada possível aquela instalação industrial. E assim por diante até as grandes decisões sobre a economia, sobre a saúde, sobre a educação, se nos estamos a referir ao poder governamental, ministerial ou parlamentar. À volta dos políticos movem-se interesses, insinuam-se propostas, pedem-se favores e até se acredita que estão lá para resolver os nossos problemas e necessidades. Por isso, todos estão interessados em saber o que dizem e se propõem fazer não só durante as campanhas eleitorais como, sobretudo, quando já eleitos.

Espreitemo-los. O político, logo que assume um cargo importante muda completamente de vida. É projetado para um nível superior. Pode não valer nada como cidadão, mas, uma vez eleito, passa a ter direito a todas as mordomias e respeitinho, a que o tratem pelo título que o cargo lhe confere e tira-se o chapéu diante dele como se fosse uma entidade vinda de outro planeta. Repentinamente, munícipes da alta começam a convidá-lo para festas e almoços. Diante deles desfilam, cheios de deferências empresários, intelectuais, artistas que nunca lhe tinham dirigido a palavra anteriormente, mas que agora se declaram orgulhosamente de ser seus amigos e têm algo a pedir e a propor. Quando se desloca, um carro do Estado aparece em cena para o levar é o seu maior sinal de importância.

É o seu direito a motorista. Atravessa a cidade com escolta. Em momentos especiais, passa por entre os soldados que se colocam em sentido e é recebido de igual para igual pelos ministros dos outros países. A televisão filma-o e faz-lhe grandes reportagens, os jornais reproduzem as suas tiradas. As pessoas reconhecem-no onde quer que esteja. Tem direito a lugar reservado, na fila da frente, nas cerimónias oficiais e nas outras. Acredita mesmo que a política preenche a sua vida. Quem experimentou o poder político, geralmente não desiste dele. E isto explica por que razão os políticos no ativo estão fortemente determinados em defendê-lo, com unhas e dentes. Para o conservar ou retomar, para estar na ribalta, estão prontos a assumir compromissos que anteriormente teriam considerado ignóbeis, estão prontos a levar a cabo abusos que anteriormente teriam classificado desonrosos. É por isso que, quando saem da política ativa, já têm garantidos cargos de chefias e lugares de empresas que pagam bem, mesmo que lhe faltem habilitações ou conhecimentos para o cargo que vão ocupar. É neste sentido que o poder político tem essa faceta de destruir moralmente quem assim se deixa corromper".

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