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Projeto liderado por Portugal permite deteção precoce de riscos para a saúde pública

Data de publicação
14 Janeiro 2026
18:53

Um projeto liderado por Portugal, e financiado pela Agência Espacial Europeia (ESA), permite a deteção precoce de riscos para a saúde pública associados a condições ambientais, combinando imagens de satélite, inteligência artificial e modelação de dados.

O projeto EO4Health Resilience, financiado em 600 mil euros pela ESA, foi realizado por um consórcio europeu liderado pela empresa tecnológica GMV Portugal.

Em declarações à Lusa, o gestor do projeto na GMV, Filipe Brandão, disse que o projeto visou “dar continuidade aos esforços da ESA na utilização de dados de observação da Terra, sobretudo de origem de satélite, como apoio à tomada de decisão em saúde pública”.

Itália, que participou no consórcio juntamente com Portugal, Alemanha e Reino Unido, já dispõe de um serviço dedicado às doenças transmitidas por mosquitos financiado com dinheiro público.

Em Portugal, durante o curso do projeto, a Direção-Geral da Saúde (DGS) “confirmou a disponibilidade de ajudar no acesso a dados ‘in situ’ para a validação do modelo desenvolvido”, adiantou Filipe Brandão, salientando que “foram estabelecidos contactos com a DGS com vista à criação de sinergias, tendo sido manifestado um claro interesse neste tipo de tecnologia e na sua potencial aplicação prática”.

Filipe Brandão explicou que os resultados do projeto foram materializados em serviços de dados geoespaciais de previsão de risco de transmissão de doenças disponibilizados através de uma plataforma na internet de acesso aberto.

“Naturalmente, não é possível detetar diretamente mosquitos ou bactérias através de imagens de satélite. No entanto, foi possível estabelecer relações robustas entre a sua presença, confirmada através de dados ‘in situ’, e as condições ambientais existentes no momento da sua deteção”, ressalvou.

No campo das doenças transmitidas por mosquitos, o “EO4Health Resilience” escalou um modelo de circulação do vírus do Nilo Ocidental, originalmente concebido para Itália, alargando-o a toda a bacia do Mediterrâneo e grande parte da Europa.

Com base em indicadores derivados de imagens de satélite, como a temperatura da superfície terrestre, índices de vegetação e chuva, o serviço “fornece previsões de curto prazo sobre a adequação ambiental à circulação do vírus, apoiando atividades de alerta precoce e preparação”, segundo a GMV.

Em Portugal, “tratando-se de um vírus cuja circulação apenas recentemente foi confirmada, os dados de validação são para já muito limitados”, acautelou Filipe Brandão, especialista no tratamento de dados geoespaciais.

O projeto desenvolveu ainda serviços para infeções por ‘Vibrio’ não colérico no Mar Báltico, risco ambiental de cólera no lago Vembanad, na Índia, contaminação pela bactéria ‘Escherichia coli’ associada à chuva e “dinâmicas de cheias com impacto na exposição a doenças”.

De acordo com a GMV, “estes serviços combinam observações de satélite da temperatura da superfície do mar, concentração de clorofila, precipitação e extensão da água com conhecimento epidemiológico, permitindo gerar mapas espaciais de risco e análises de tendências a longo prazo”.

O “EO4Health Resilience” incluiu também dados “relevantes para doenças não transmissíveis e saúde urbana”, incluindo poluição atmosférica, temperatura da superfície terrestre e espaços naturais nas cidades, como parques, jardins e rios.

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