O candidato presidencial André Ventura manteve a campanha hoje de manhã, mas trocou a arruada prevista em Espinho por um momento em que se mostrou a pôr donativos numa carrinha para serem enviados para locais afetados pelo mau tempo.
Quando André Ventura chegou hoje a Espinho, já estava tudo pronto. À beira da biblioteca, num lugar abrigado da chuva, estavam águas, latas de atum e salsichas e outros bens à sua espera para serem carregados.
Com câmaras das televisões e fotojornalistas já posicionados, o candidato chegou, recebido com palmas, cumprimentou alguns apoiantes, aceitou fazer algumas ‘selfies’ e dirigiu-se para o local, começando a carregar sacos e caixas para uma carrinha preta já previamente estacionada ao lado, onde já estavam carregados outros bens.
Ao longo de dez minutos, sempre sob o olhar das câmaras, carregou grande parte dos bens já preparados e recolhidos por militantes e simpatizantes do Chega (partido que lidera e que apoia a sua candidatura): 26 paletes de águas de meio litro, dois garrafões, duas caixas de 50 latas de atum, dois sacos com latas de salsichas, um saco com ração húmida para gatos e cães, seis pacotes de leite e um saco com arroz e massa.
Aos jornalistas, falou da “recolha possível” em 16 horas – já passaram mais de 48 horas da passagem da depressão Kristin pela região Centro.
Em Leiria, na quinta-feira, o candidato ouviu críticas “querer aparecer” em zonas afetadas pela depressão, com uma mulher a perguntar-lhe se tinha levado água e comida, que acabou a ignorar.
Ventura rejeitou a ideia de ter alterado a arruada prevista hoje para Espinho por causa dessas críticas, mas respondeu à mulher que o criticou na quinta-feira: “Ontem havia uma senhora que dizia: ‘E os alimentos?’. Eles aqui estão”.
Recusando a ideia de aproveitamento político de um desastre, André Ventura considerou que, face à visibilidade da campanha, deve usá-la para “poder ajudar as pessoas” e mostrar “ao país” o grau “de calamidade e devastação” das áreas afetadas, por onde passou na tarde de quinta-feira, num percurso de menos de uma hora no centro de Leiria.
Questionado sobre se a presença da comunicação social poderá ajudá-lo, o candidato presidencial afirmou que a campanha deve ser usada “para mostrar o que está mal e o que correu mal”.
Defendendo a sua forma de fazer campanha, André Ventura considerou que os candidatos presidenciais devem fazer “alguma coisa”, desafiando António José Seguro a fazer o mesmo, adversário que esteve no terreno antes do presidente do Chega e sempre sem comunicação social presente.
“Porque assim as pessoas veem que, quer à esquerda, quer à direita, pelo menos preocupamo-nos, queremos saber”, vincou, referindo que irá manter ações de recolha de bens.
Sobre o facto de levar sempre consigo a comunicação social ao contrário do adversário, André Ventura ignorou por duas vezes as perguntas.
No final, tal como no arranque da ação de campanha, onde vários apoiantes tinham chapéus e cachecóis da candidatura, Ventura acedeu a vários pedidos de ‘selfies’ e cumprimentos.
Estava prevista uma arruada da candidatura na Póvoa de Varzim (distrito do Porto), às 15:30, mas a campanha informou, por volta das 14:15, que essa ação tinha sido cancelada, sendo substituída por mais recolha de bens de primeira necessidade e uma sessão de esclarecimento sobre as falhas do Estado na resposta a situações de calamidade, prevista para as 16:45, na Biblioteca Diana Bar, no mesmo concelho.