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Marcelo afirma que realidade do Governo português está a mudar em relação à Palestina

Data de publicação
10 Junho 2024
21:46

O Presidente da República considerou hoje que a realidade do Governo português em relação à questão palestiniana está a mudar, embora assinale que os promotores de manifestações pela causa da Palestina pretendam que se avance mais depressa.

Esta posição foi transmitida por Marcelo Rebelo de Sousa na Universidade de Coimbra (UC), no arranque do centenário das comemorações do nascimento de Luís de Camões, quando questionado pelos jornalistas sobre o diálogo que teve com estudantes que se estão a manifestar pela causa palestiniana junto à Faculdade de Letras.

Na perspetiva do chefe de Estado, “está em curso uma realidade”, a qual, “naturalmente”, os promotores dos protestos contra a intervenção militar israelita em Gaza e pelo reconhecimento do Estado Palestiniano pretendem que se “vá mais longe e mais depressa”.

“Mas há que admitir que a realidade está a mudar e já mudou na posição do Governo português”, contrapôs o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que disse aos estudantes “duas coisas importantes”, a primeira das quais “que Portugal tinha recentemente tomado uma posição, pela primeira vez, em apoio da entrada da Palestina como membro de pleno direito das Nações Unidas”.

“Nunca antes tinha acontecido, era apenas observador. E Portugal, com uma maioria esmagadora [de países], votou nesse sentido”, completou.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, “sendo membro de pleno direito, [a Palestina] passa a ter assento ao lado dos Estados-membros que fazem parte das Nações Unidas”.

“Disse mais, que Portugal assinou recentemente uma declaração a favor do cessar-fogo” na faixa de Gaza, acrescentou.

Esta tarde, quando chegou à universidade, o Presidente da República dirigiu-se a dezenas de jovens manifestantes pela causa palestiniana, realçando-lhes as posições portuguesas pelo cessar-fogo em Gaza e pela entrada do Estado Palestiniano como membro de pleno direito das Nações Unidas.

Ao contrário do que tinha acontecido momentos antes com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o chefe de Estado foi ter com os manifestantes.

Durante cinco minutos, começou por ouvir um dos organizadores da manifestação exigir o imediato reconhecimento diplomático de Portugal do Estado Palestiniano e o “fim da cumplicidade da Universidade de Coimbra” com o Estado de Israel e o “massacre” do povo palestiniano.

Após escutar essa mensagem, o Presidente da República pediu então o microfone emprestado aos manifestantes e transmitiu a sua posição sobre a atual realidade palestiniana em menos de um minuto.

Estes estudantes estão acampados junto à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) desde 21 de maio, exigindo o “fim do genocídio em curso na Palestina ocupada”.

Numa nota de imprensa enviada à agência Lusa no final de maio, os manifestantes exigiam que a UC assuma um “posicionamento por um cessar-fogo imediato, incondicional e permanente em todo o território palestiniano ocupado”, o hastear da bandeira da Palestina na torre da instituição e o fim de todos os programas, acordos e protocolos com as empresas, instituições e universidades israelitas, “bem como a recusa de qualquer financiamento em currículo académico pelo Estado de Israel”.

Após essa tomada de posição, o movimento “Estudantes de Coimbra pela Palestina” acusou a UC de aumentar o número de seguranças privados na área envolvente, impedir o acesso de estudantes a espaço universitário e “intimidação e assédio” por parte de seguranças, refere um outro comunicado publicado no início de junho.

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