O vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima, reiterou hoje que o Governo da República tem de compensar os custos da insularidade da Universidade dos Açores e desafiou a academia a repensar o seu posicionamento.
“Ser uma universidade em nove ilhas, e com presença física em três, implica custos de insularidade que o país deve e tem de reconhecer e compensar. Esta é uma obrigação primeira do Governo da República”, afirmou o governante, em Angra do Heroísmo, numa cerimónia de celebração do 50.º aniversário da Universidade dos Açores.
Passados 50 anos, o vice-presidente do executivo açoriano disse que, “infelizmente, continua a ser necessário explicar a Portugal Peninsular e à Europa o que é a autonomia e a relevância das regiões autónomas e ultraperiféricas”.
Artur Lima referiu que, nos últimos anos, o Governo Regional triplicou o financiamento à academia açoriana de 350 para 950 mil euros e cedeu vários imóveis.
“Apesar de a Universidade dos Açores ser uma entidade cujo funcionamento e financiamento, repito, depende do Governo da República, e nós não podemos ser condescendentes nesta matéria, este Governo Regional, no âmbito das suas competências e recursos, sempre se demonstrou presente, cooperativo e proativo na busca de soluções para as questões particulares que uma Universidade insular tem”, insistiu.
O governante desafiou, por outro lado, a universidade a “ajustar-se às necessidades atuais e futuras do mercado”.
“Depois de um longo e ainda inverno académico que o ensino superior passa nos Açores, devemos aproveitar este novo momento para repensar o que se fez e o que se quer fazer, e não repetir os mesmos erros do passado”, apelou.
Segundo Artur Lima, a Universidade dos Açores deve também “promover uma renovação dos seus quadros, de forma a contratar os melhores para formar os melhores”.
“A Universidade dos Açores é capaz de fazer mais e melhor. Para tal, é necessário repensar o seu posicionamento e foco. O desafio para os próximos 50 anos é claro: continuar a ser uma universidade de proximidade, mas de alcance global”, apontou.
O presidente do Conselho Geral da Universidade dos Açores, Marco Lopes, reconheceu que compete ao Governo da República “a responsabilidade e a obrigação de assegurar o financiamento do ensino no território nacional” e que, no caso dos Açores, tem ficado aquém das necessidades.
No entanto, defendeu que o Governo Regional não pode alhear-se, porque “é nos Açores que a universidade deixa o seu valor”.
“É nos Açores que uma universidade mais sólida e mais pujante deixa o seu relevante contributo. Não substituindo [o Governo da República], mas complementando ainda mais, o Governo Regional tem a obrigação de implementar um mecanismo próprio de financiamento que assegure estabilidade e, acima de tudo, previsibilidade”, afirmou.
Marco Lopes considerou que também a universidade “tem de fazer a sua parte e reforçar a capacidade de geração de capitais próprios”, lembrando que a academia açoriana “continua excessivamente dependente de financiamento público, com apenas 20% de receitas próprias”.
No entanto, lembrou que a localização, o isolamento e a descontinuidade geográfica dos Açores constituem “um desafio adicional”.
Já a reitora da Universidade dos Açores, Susana Mira Leal, defendeu que os desafios do polo de Angra do Heroísmo, onde decorreu a cerimónia, passam “pela revisão e modernização da oferta formativa e por uma sensibilização crescente dos mais jovens para a formação na área das ciências agrárias”.
A reitora deixou um apelo às autarquias da ilha Terceira para apoiarem a construção de um hospital veterinário universitário, exigido para o ensino completo do mestrado integrado em veterinária, já acreditado.
Segundo Susana Mira Leal, o Governo Regional comprometeu-se a ceder as antigas instalações do Laboratório Regional de Veterinária e o Ministério da Educação já se disponibilizou a comparticipar as obras, mas o investimento requer “um apoio complementar de outros parceiros”.
A reitora desafiou ainda o Governo Regional e as autarquias da ilha Terceira a disponibilizarem “bolsas de estudo a estudantes de outras ilhas e de fora da região” para estudarem no polo de Angra do Heroísmo “com a condição de permanência por um período mínimo de anos após a conclusão da formação, reforçando a retenção de talento na ilha”.