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Eleições: Quatro casos desinformativos em janeiro mas pouco virais

Data de publicação
15 Fevereiro 2024
10:09

Pelo menos quatro casos desinformativos relacionados com as legislativas foram identificados, em janeiro, nas redes sociais, com uma publicação do Chega de um gráfico com uma interpretação errada e uma afirmação descontextualizada do Bloco de Esquerda.

A conclusão é da MediaLab do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), no primeiro relatório para monitorizar e fazer a despistagem de desinformação política na pré-campanha e campanha eleitoral para as eleições legislativas de março, ao abrigo de um protocolo com a agência Lusa.

O objetivo é identificar os conteúdos desinformativos atribuídos aos partidos ou candidatos pelos ‘fact-checkers’ nacionais credenciados pela International Fact-Checking Network (IFCN), Polígrafo, Observador Fact Check e Público - Prova dos Factos, e avaliar o impacto nas redes sociais, medido em interações e visualizações.

“O que concluímos é que não são assim tão virais como parecem à primeira vista”, comparando com outras publicações, afirmou à Lusa José Moreno, investigador em Ciências da Comunicação - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e a Empresa (ISCTE-IUL), não se podendo excluir que casos mais complexos venham a acontecer até às legislativas de 10 de março.

Um dos fatores em análise, além das visualizações, é a interação de um determinado conteúdo: se for muito partilhado, com muitas interações tem mais alcance.

Neste caso, entre 07 de janeiro e 07 de fevereiro, o MediaLab identificou quatro casos alvo de ‘fact-checking’ por parte do Polígrafo e do Observador, com muitos milhares de visualizações.

O caso mais recente foi da líder do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, que, numa publicação no X (ex-Twitter) acusa a direita de ser responsável pela privatização da EDP e Polígrafo alega que está descontextualizada.

A publicação Mariana Mortágua no X, em 01 de fevereiro, sobre a privatização da EDP por parte do governo PSD, teve 75.500 visualizações e 650 interações (gostos, comentários e partilhas) e um total 3.533 interações no Instagram.

O Polígrafo conclui que esta informação está descontextualizada, dado que a privatização da EDP foi distribuída por várias fases e ficou a cargo de vários governos entre 1997 e 2013, sendo o último o de Pedro Passos Coelho (PSD/CDS).

O segundo caso é de uma publicação do Chega, da autoria do deputado e dirigente Pedro Frazão que, em 22 de janeiro, publicou no X um gráfico que, alegadamente, comprovaria a substituição populacional em curso em Portugal, nove dias depois de o líder, André Ventura, ter afirmado que 30% da população em Braga seria imigrante, o que ‘fack-checkers’ também verificaram ser falso.

A publicação de Pedro Frazão foi partilhada 75 vezes e usado por mais um utilizador para fazer uma publicação original com o mesmo tema. No total, a imagem teve pelo menos 996 interações e foi visualizada 36.800 vezes, de acordo com o relatório.

O Polígrafo concluiu que esta imagem é enganosa e o teor da publicação é dado como falso. A sobreposição das pirâmides de população “diz respeito a dois universos distintos que não podem ser comparáveis da forma que Pedro Santos Frazão fez”.

Neste período de um mês, o MediaLab identificou mais dois casos de desinformação, um utilizador que deturpou a imagem da Aliança Democrática, e teve 428 mil visualizações na rede X. Um outro utilizador fez uma publicação com uma fotografia manipulada de Pedro Passos Coelho com uma bandeira do Chega, que teve um total de 287 interações, com cerca de 18 mil visualizações.

Os autores deste projeto (Gustavo Cardoso e José Moreno) alertam que não existe uma relação direta entre o número de interações (ou ‘gostos’) com as intenções de voto de um determinado partido ou candidato.

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