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Coimbra: “Sem maca e sem alternativa, deitámos a minha mãe no chão”, relata filho de doente em fase terminal

Lígia Neves

Jornalista

Data de publicação
10 Janeiro 2026
17:41

O filho de uma doente oncológica, em fase terminal, recorreu às suas redes sociais para relatar as consequências da falta de macas no Centro Hospitalar de Coimbra.

Na publicação, João Gaspar revelou que a mãe “tem um cancro generalizado na zona abdominal”. “Faz quimioterapia, vive com dores constantes, tem bolsa de urina e saco para as fezes. Não consegue andar sozinha nem permanecer sentada por muito tempo. Ainda assim, foi tratada como se fosse apenas mais um corpo à espera”, denunciou, “numa carta aberta”, onde descortina a situação.

“Liguei para a Saúde 24, ninguém atendeu. Liguei para o 112, disseram que iam enviar uma ambulância.Vinte minutos depois voltaram a ligar para dizer que não havia ambulâncias disponíveis e que teríamos de aguardar por tempo indeterminado.Tempo indeterminado quando uma pessoa grita de dores”, descreveu, dando conta de que não teve alternativa a não ser colocar a mãe no carro e levá-la às urgências.

João Gaspar garante que avisou “que estava a chegar com uma doente grave, antecipando o problema que é chegar à entrada das urgências com um carro particular”. “Disseram-me apenas para falar com a polícia à entrada. Chegámos com a minha mãe deitada no banco de trás do carro, porque não conseguia sentar-se. Não havia macas disponíveis. Disseram-nos para usar uma cadeira de rodas. Ela não aguentava. Pedi uma maca. Disseram-me que teria de ser eu a ir buscar. Não havia. Fui eu, com um familiar, que transportei a minha mãe para dentro do hospital. Numa sala cheia de profissionais, ninguém tinha uma solução”, lamentou o filho da utente.

“Sem maca e sem alternativa, deitámos a minha mãe no chão, sobre uma manta trazida por nós. No chão de um hospital, em 2026. Houve quem criticasse a decisão, não para ajudar, mas para apontar o dedo. Só quando perceberam que aquela imagem estava a ser registada é que alguém começou a agir. Depois disso, tudo aconteceu como devia ter acontecido desde o início. Foi-lhe administrada morfina, duas vezes. Recebeu soro. Foram feitos exames. Os meios existiam. O que faltou foi humanidade”, expôs.

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