MADEIRA Meteorologia

Associação defende que utentes devem ser questionados sobre manter médico de família

Data de publicação
20 Fevereiro 2025
17:49

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar defendeu hoje que é importante perguntar aos utentes se querem manter o seu médico de família, após alteração da lei que reativa a inscrição nos centros de saúde.

“Deveríamos perguntar se as pessoas querem ou não manter a inscrição no seu médico de família, isso é o mais importante. Porque podemos ter utentes que não utilizaram durante cinco ou seis anos. É preciso perceber com as pessoas se efetivamente querem manter essa inscrição ativa ou não, pode haver quem não queira”, disse à Lusa Nuno Jacinto.

O dirigente comentava assim a alteração da legislação que entrará em vigor em abril e que define as regras de organização e os mecanismos de gestão do Registo Nacional de Utentes (RNU) e de inscrição nos cuidados de saúde primários.

Nos últimos anos, os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que não utilizavam o sistema há cinco ou mais anos viram a sua inscrição nos cuidados de saúde primários inativada, sendo classificados como “não frequentadores”.

Além da inscrição nos cuidados de saúde primários inativa, estes utentes também perdiam o seu médico de família.

“Esta questão do critério dos cinco anos é discutível. Pode ser criticado ou não. Nós temos de decidir e aplicá-lo de uma forma homogénea. Na realidade, esta alteração que agora existe, em que se aplica a uns utentes e a outros não, aos portugueses que estão no estrangeiro e a estrangeiros que já não estejam cá. Temos de assumir um critério”, realçou.

Nuno Jacinto reconheceu, no entanto, que houve uma evolução positiva “nos últimos tempos”, porque o processo de inativação da inscrição já não é feito de forma automática sem avisar os utentes.

“Quem não tinha contactos com o seu médico de família, com a sua unidade de saúde, nos últimos cinco anos, via a sua inscrição inativada. Com a nova nomenclatura, isso deixa de acontecer para os residentes em Portugal, para os cidadãos portugueses, mas continua a aplicar-se a estrangeiros que estejam fora do país e – aqui a grande questão – a portugueses que estejam a residir no estrangeiro. O que nos parece aqui um pouco estranho é esta diferença de aplicabilidade do critério”, lamentou.

Para o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, o problema continua a ser a falta de clínicos.

“O problema de fundo continua a ser não termos médicos de família para todos e depois andamos aqui com várias estratégias para utilizar da melhor forma os recursos que temos e que nos vão faltando”, alertou.

“Claro que nós temos de ter listas atualizadas, claro que temos que eliminar inscrições duplicadas. Não podemos ter utentes que já faleceram e que continuam inscritos. Tudo isso é verdade. Não devemos ter utentes inscritos que não querem utilizar os serviços. Perguntemos às pessoas se querem ou não. Tudo o resto não vai apagar o problema de continuarmos com mais de 1,5 milhões de utentes sem médico de família atribuído”, acrescentou.

O Despacho n.º 1668/2023 veio definir as regras de organização e os mecanismos de gestão referentes ao RNU, assim como as de registo do cidadão no SNS e de inscrição nos cuidados de saúde primários, incluindo uma medida, que causou grande polémica, que determinava que os portugueses com residência fiscal no estrangeiro teriam o seu registo “inativo”, e foi, entretanto, suspensa.

Em dezembro do ano passado foi revogado e substituído por um outro (14830/2024), que entra em vigor em abril e veio alterar a tipologia do registo no RNU. Em janeiro, a publicação de um outro despacho (40/2025) determinou que a atualização das listas dos cuidados de saúde primários iria ter em conta as novas tipologias de registo.

OPINIÃO EM DESTAQUE

88.8 RJM Rádio Jornal da Madeira RÁDIO 88.8 RJM MADEIRA

Ligue-se às Redes RJM 88.8FM

Emissão Online

Em direto

Ouvir Agora
INQUÉRITO / SONDAGEM

Concorda com a opção de abandonar a intervenção no Caminho das Ginjas?

Enviar Resultados

Mais Lidas

Últimas