Venevisión, uma antiga estação de televisão privada em sinal aberto da Venezuela, rompeu a censura de vários anos contra a oposição e transmitiu as declarações da opositora Maria Corina Machado.
A decisão do canal e as declarações foram hoje destaque nas redes sociais venezuelanas.
A estação transmitiu o momento em que a líder da oposição disse que apesar de não estar fisicamente na Venezuela o seu coração está com os venezuelanos.
As declarações foram feitas aos jornalistas, em Washington, e depois do encontro com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
“Muito em breve, estarei de regresso ao nosso país”, disse, na quarta-feira.
As autoridades venezuelanas reagiram e questionaram a cobertura dada pelo canal, entre os quais o ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello.
“A Maria, a transtornada Machado, está a ficar sem opções e a sua margem de manobra está a diminuir a uma velocidade vertiginosa. Ela precisa urgentemente, quase desesperadamente, de criar um acontecimento de repercussão internacional que lhe permita voltar à ribalta, recuperar algum papel de destaque que só existe na sua própria narrativa (...) Ouça-me, Venevisión: sem a estridência nos ‘media’, a sua figura se dilui; sem manchetes, ela simplesmente desaparece”, disse Diosdado Cabello, no seu programa televisivo, transmitido pela televisão estatal.
Por outro lado, durante um evento com militares, a Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez enviou “uma mensagem muito clara para o extremismo na Venezuela e as ligações internacionais”.
“Através do programa de coexistência democrática e paz, abrimos um espaço para o diálogo político, que venham todos os que realmente amam a Venezuela, mas aqueles que pretendem perpetuar os danos e a agressão contra o povo da Venezuela. Que fiquem em Washington, porque aqui não vão entrar para prejudicar a paz e a tranquilidade da República. Haverá lei e haverá justiça”, disse.
Nos últimos anos, a Venevisión tinha evitado dar visibilidade a políticos da oposição venezuelana. Uma decisão seguida pelas outras estações de televisão públicas e privadas do país.
Também nos últimos anos, várias vezes as redes sociais venezuelanas denunciaram o encerramento de programas de televisão e rádio no país, por alegadas pressões políticas e por linhas editoriais contrárias ao regime.
Quarta-feira, a opositora venezuelana, Maria Corina Machado, pediu, depois de se reunir com Rubio, uma “transição real” na Venezuela, após a qual “não fique nada do regime no poder”.
“Posso assegurar aos venezuelanos que a transição para a democracia vai acontecer, porque temos o apoio das democracias mais importantes do mundo e, muito especialmente, do governo de [o Presidente norte-americano] Donald Trump”, afirmou.