A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) declarou-se hoje disposta a manter o diálogo com a Rússia, mas sem renunciar aos seus princípios e exigindo o fim da guerra que esta desencadeou na Ucrânia.
"A agressão russa à Ucrânia violou de forma flagrante a arquitetura europeia de segurança e os princípios e valores em que assenta esta organização e ameaçou a paz no continente [europeu] e além das fronteiras deste", denunciou o presidente em exercício da OSCE, Bujar Osman, ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) da Macedónia do Norte.
Osmani emitiu estas declarações à imprensa durante a apresentação do programa para a presidência da OSCE em 2023.
O MNE norte-macedónio indicou também estar disposto a manter a comunicação com todos os membros da OSCE, entre os quais a Rússia, mas sem permitir que "se pisem" as ideias de soberania e integridade territorial que fazem parte dos seus princípios, que Moscovo "se comprometeu" a cumprir quando a organização foi criada.
Por isso, prosseguiu, a primeira missão é "pedir [à Rússia] que pare imediatamente a agressão" à Ucrânia e que volte ao respeito desses princípios.
A secretária-geral da OSCE, Helga Maria Schmid, afirmou partilhar da mesma opinião e recordou que a organização "nasceu do confronto" em plena Guerra Fria, precisamente como um instrumento para evitar conflitos e reduzir tensões.
"Estou totalmente de acordo com o que o ministro disse sobre o diálogo, mas sentar-se à mesma mesa, manter abertos os canais de comunicação, por exemplo, não significa sentar-se lá e trocar cortesias, mas permitir - e isto também é muito importante - exigir mutuamente responsabilidades", frisou.
A OSCE é composta por 57 membros, estende-se geograficamente do Canadá à Sibéria e é o único organismo de segurança, além da ONU, em que se sentam juntos a Rússia, a Ucrânia e os países da União Europeia (UE).
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas - 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 7,9 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.
A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje entrou no seu 323.º dia, 6.952 civis mortos e 11.144 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
Lusa