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Narcotraficante mais procurado da Colômbia declara-se culpado nos EUA

JM-Madeira

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Data de publicação
26 Janeiro 2023
8:44

Um colombiano que já foi um dos narcotraficantes mais procurados do mundo declarou-se hoje culpado por contrabando nos Estados Unidos, admitindo que liderava um cartel e grupo paramilitar que traficava cocaína e provocava violência mortal.

"Toneladas de cocaína foram transportadas com a minha permissão ou sob a minha direção", disse Dairo Antonio Úsuga, mais conhecido como ‘Otoniel’, num tribunal federal do Brooklyn, no estado de Nova Iorque.

"Houve muita violência com os guerrilheiros e as quadrilhas criminosas", acrescentou, reconhecendo que "no trabalho militar foram cometidos homicídios".

Úsuga, de 51 anos, vai enfrentar pelo menos 20 anos de prisão quando for condenado, disseram os procuradores.

De acordo com a juíza distrital Dora Irizarry, o Governo norte-americano concordou em não procurar uma sentença de prisão perpétua para garantir a sua extradição da Colômbia em 2022.

Como parte do acordo judicial, "Otoniel" concordou em pagar 216 milhões de dólares (197 milhões de euros).

"Com a confissão de culpa de hoje, o reinado sangrento do narcotraficante colombiano mais violento e significativo desde Pablo Escobar acabou", disse o procurador-geral do Brooklyn, Breon Peace, em comunicado.

O advogado de defesa Paul Nalven disse que Úsuga estava "muito arrependido" e o retratou como "filho do ciclo de violência" que assolou a Colômbia ao longo da sua vida.

Úsuga, que estudou até ao quarto ano, foi arrastado para a guerrilha aos 16 anos, acrescentou Nalven.

Oriundo de uma família camponesa do noroeste da Colômbia, Dairo Antonio Úsuga foi guerrilheiro de grupos de extrema-esquerda, depois paramilitar de extrema-direita, antes de assumir a chefia de uma organização de tráfico de droga, composta por cerca de 1.600 homens, responsável por exportar, em média por ano, perto de 300 toneladas de cocaína para três dezenas de países, de acordo com as autoridades.

"Otoniel" substituiu o irmão Juan de Dios, conhecido como "Giovanni", abatido pela polícia em 2012, na chefia do Clã do Golfo.

Em cinco décadas de guerra contra a droga, apoiada pelos Estados Unidos, a Colômbia matou ou capturou vários narcotraficantes, sendo o mais famoso Pablo Escobar.

O país continua a ser o primeiro produtor mundial de cocaína e os Estados Unidos o principal mercado, enquanto a violência ligada ao narcotráfico perdura.

Lusa

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