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Irão: Teerão rejeita cessar-fogo temporário e exige fim permanente da guerra

Data de publicação
06 Abril 2026
18:00

O Irão enviou uma proposta aos Estados Unidos, na qual rejeita um cessar-fogo temporário e exige um fim permanente para o conflito, informou hoje a agência de notícias estatal iraniana IRNA.

A proposta, transmitida pelo Paquistão, consiste em 10 pontos, incluindo o fim das hostilidades na região, um protocolo para a passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o levantamento das sanções contra Teerão, segundo a agência oficial iraniana, referindo que obteve uma cópia do documento.

De acordo com a proposta, as autoridades iranianas sublinham “a necessidade de um fim permanente para a guerra” que tenha em conta as necessidades da República Islâmica.

“Só aceitaremos o fim da guerra com garantias de que não voltaremos a ser atacados”, disse Mojtaba Ferdousi Pour, chefe da missão diplomática iraniana no Cairo, à agência norte-americana Associated Press (AP).

O representante diplomático de Teerão acrescentou que as autoridades do Irão e de Omã estavam a trabalhar num mecanismo para gerir a navegação do estreito, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes da guerra lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, e que tem estado sob ameaça militar iraniana desde então, fazendo disparar os preços globais.

Os Estados Unidos entregaram uma proposta de 15 pontos à República Islâmica através de Islamabad há duas semanas, que Teerão considerou excessiva.

A contraproposta iraniana surge depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter voltado a ameaçar o Irão no domingo, prometendo desencadear “todo o inferno” quando o mais recente ultimato que deu à República Islâmica para desbloquear o Estreito de Ormuz expirar às 01:00 (hora de Lisboa) de quarta-feira.

Ao mesmo tempo, o líder da Casa Branca afirmou em entrevista à Fox News que acredita poder chegar a um acordo com Teerão.

A rejeição hoje transmitida pelo Irão ocorreu no mesmo dia em que Israel atacou uma importante fábrica petroquímica no enorme campo de gás natural de South Pars e matou dois comandantes paramilitares da Guarda Revolucionária.

O campo de gás partilhado com o Qatar é o maior do mundo e já tinha sido atacado durante este conflito por Israel, levando a uma retaliação do Irão contra instalações energéticas dos países vizinhos do Golfo.

Depois de ter dado ultimatos com prazos diversos a Teerão e sob pressão interna devido à escalada de preços dos combustíveis, bem como incompreensão sobre os objetivos da guerra, Trump avisou o Irão de que, se não for alcançado um acordo para reabrir o estreito, as suas forças militares farão o país “regredir à Idade da Pedra”.

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