A ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton lançou hoje críticas à Comissão da Câmara de Representantes que a investiga no caso Jeffrey Epstein, exigindo que o Presidente Donald Trump seja também questionado sobre as ligações com o pedófilo.
“Se esta comissão estivesse realmente empenhada em descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico sexual de Epstein, perguntaria diretamente ao nosso atual Presidente, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que ele aparece no caso”, afirmou Hillary Clinton numa declaração preliminar divulgada na rede social X.
Membros da comissão, de maioria republicana, deslocaram-se a Chappaqua, no estado de Nova Iorque, onde os Clinton residem, para ouvir primeiro Hillary Clinton e, na sexta-feira, o ex-Presidente Bill Clinton.
Também o congressista democrata Robert Garcia, membro da comissão, acusou a Casa Branca de ocultar documentos que mencionariam Donald Trump, alguns dos quais, segundo a imprensa, detalham alegações de abuso sexual contra uma menor.
“O Departamento de Justiça continua a encobrir os factos, orquestrados pela Casa Branca, e vamos exigir a divulgação dos restantes documentos nos próximos dias”, afirmou Garcia, acrescentando que pretende chamar Trump a depor.
O presidente da comissão, o republicano James Comer, afirmou que os congressistas têm “muitas perguntas” a colocar, sublinhando que o objetivo é compreender vários aspetos do caso Epstein.
“Ninguém, neste momento, está a acusar os Clinton de qualquer irregularidade. Serão submetidos ao devido processo legal, mas temos muitas perguntas”, explicou Comer.
Bill Clinton, que viajou várias vezes no jato privado de Epstein e foi fotografado com ele, afirmou em 2019 que não mantinha contacto com o financeiro há mais de uma década, enquanto Hillary Clinton tem dito que mal o conhecia.
O Departamento de Justiça divulgou a 30 de janeiro mais de três milhões de páginas relacionadas com o caso Epstein, algumas com partes censuradas, sustentando ter cumprido a obrigação legal de esclarecer o processo.
Desde a divulgação dos ficheiros, várias figuras públicas foram mencionadas devido a contactos passados com Epstein, embora a simples referência de um nome não implique qualquer irregularidade.
Os Clinton tinham inicialmente recusado comparecer, alegando tratar-se de uma tentativa de desviar atenções da relação passada entre Trump e Epstein, mas aceitaram depor após ameaças de acusação por obstrução ao Congresso.
Tal como no caso da cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell, cujo testemunho foi recolhido por videoconferência a partir da prisão onde cumpre pena de 20 anos, os depoimentos dos Clinton deverão ser divulgados posteriormente.