O diretor-geral da OMS justificou hoje que declarou como emergência de saúde pública de importância internacional a atual epidemia de Ébola na África Central, antes de convocar o comité de emergência, pela escala e velocidade de propagação da doença.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), falava perante o comité de emergência e, no seu discurso, justificou que tomou a medida de declaração de emergência, no domingo, “em conformidade com o Artigo 12.º do Regulamento Sanitário Internacional, após consultar os ministros da Saúde” da República Democrática do Congo (RDCongo) e Uganda.
Após as conversações, concluíram que “a escala e a velocidade da epidemia exigiam uma ação urgente”, acrescentou Ghebreyesus.
De acordo com diretor-geral da OMS, até ao momento, foram confirmados 30 casos na RDCongo - nação vizinha de Angola - na província de Ituri, no nordeste do país, que enfrenta também um conflito com vários grupos rebeldes, nomeadamente o Movimento 23 de Março (M23).
O Uganda também informou a OMS de dois casos confirmados na capital, Kampala, incluindo uma morte, entre dois indivíduos que viajaram a partir da RDCongo, sua nação vizinha.
“Existem vários fatores que justificam uma séria preocupação quanto ao potencial de maior propagação e de mais mortes”, alertou, enumerando esses fatores.
Primeiro, além dos casos confirmados, existem mais de 500 casos suspeitos e 130 mortes.
Segundo, foram registados casos em áreas urbanas, incluindo Kampala, a cidade de Goma na RDCongo e Bunia, que é uma grande cidade, prosseguiu.
Terceiro, foram registadas mortes entre profissionais de saúde, o que indica uma transmissão associada aos cuidados de saúde, alertou.
Quarto, existe um movimento populacional significativo na área, nomeadamente na província de Ituri, que é altamente insegura, explicou.
Por fim, disse ainda que esta epidemia é provocada pelo vírus Bundibugyo, uma espécie de vírus Ébola para a qual não existem vacinas nem tratamentos terapêuticos.
A OMS tem uma equipa no terreno a apoiar as autoridades nacionais na resposta e mobilizou pessoal, mantimentos, equipamentos e fundos, anunciou.
Para sustentar tais ações, Ghebreyesus aprovou um valor adicional de 3,4 milhões de dólares (de cerca de 3,13 milhões de euros) do Fundo de Contingência para Emergências (CFE), elevando o total para 3,9 milhões de dólares (cerca de 3,36 milhões de euros).
O Fundo de Contingência para Emergências da OMS é um mecanismo financeiro de resposta rápida, e está desenhado para libertar uma primeira tranche de até 500.000 dólares em 24 horas ou menos, de forma a que as equipas da organização, possam atuar como primeiros intervenientes imediatos.
O CFE disponibiliza capital imediato enquanto mecanismos mais lentos ou de maior dimensão — como o Fundo Central das Nações Unidas para a Resposta a Emergências (CERF) — são mobilizados.
Face à propagação da doença, hoje o prémio Nobel da Paz Denis Mukwege apelou ao movimento rebelde M23 que reabra o aeroporto de Goma, um polo humanitário no leste da RDCongo, a fim de facilitar a resposta à epidemia de Ébola.
A RDCongo é regularmente afetada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infetadas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.