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Dimensão do novo Governo da África do Sul oferece “boas oportunidades”, indicam analistas

Data de publicação
07 Julho 2024
15:27

A dimensão do novo governo da África do Sul, sem precedentes no país, suscitou muitas críticas, pela dimensão e pelos custos aos contribuintes, mas oferece “boas oportunidades”, disse à Lusa o fundador do instituto sul-africano de análise ISS.

O novo gabinete da administração do Presidente Cyril Ramaphosa conta com 32 ministros e 43 vice-ministros, provenientes de 11 partidos diferentes ainda que dominado pelo Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), que perdeu nas eleições do passado dia 29 de maio a maioria absoluta que lhe permitia governar sozinho há 30 anos a maior economia africana.

“O Governo de ‘união nacional’ é obviamente um gabinete muito grande, mas há algumas boas novas nomeações - e outras que talvez sejam problemáticas em termos de progresso -, vai colocar problemas de coordenação, mas, por um lado, isso pode oferecer aos ministros boas oportunidades para avançar, sem terem que levar tudo ao gabinete”, resumiu Jakkie Cilliers, fundador do Institute for Security Studies (ISS), em declarações à Lusa.

Cilliers considera que a “grande mudança” decorrente do “roubo” de votos ao ANC pelo novo partido do ex-presidente sul-africano Jacob Zuma, o MK (uMkhonto we Sizwe, que obteve 14,58% dos votos e 58 deputados no Parlamento sul-africano), “empurrou” o partido de Ramaphosa para uma aliança inevitável com o segundo maior partido, a Aliança Democrática (DA, liderada pelo liberal John Steenhuisen, novo ministro da Agricultura), que representa historicamente a minoria branca do país.

“Não pensei que o MK fosse empurrar o ANC para baixo a ponto de precisar de uma aliança com um partido maior, mas isto abre oportunidades positivas para a África do Sul, sendo que também significa que o ANC e a DA têm de fazer com que isto funcione”, afirmou.

“Caso contrário, enveredaremos pelo caminho populista, como vimos na Europa, mas com consequências muito mais graves, tendo em conta o nosso contexto”, acrescentou o analista, considerando o desfecho “muito mais positivo do que pensava ser possível”.

No lado negativo, a acusação de “clientelismo político” figura entre as mais recorrentes. Cada ministro ganhará mais de 2,5 milhões de rands (126.000 euros) por ano, excluindo benefícios, enquanto os vice-ministros ganharão mais de 2,2 milhões de rands (111.000 euros), de acordo com o jornal oficial. As regalias incluem segurança estatal alargada e residências na Cidade do Cabo e em Pretória.

Durante um mês de negociações tensas, Ramaphosa tentou equilibrar as exigências do seu partido e dos seus novos aliados relativamente aos cargos ministeriais mais importantes e mediar os pontos de vista divergentes para chegar a um acordo sobre um programa político comum. Alguns analistas acreditam que a pressão para equilibrar os interesses do ANC superou a urgência de emagrecer o executivo e o chefe de Estado sul-africano, mais do que demitir ministros do ANC, reorientou as suas funções.

Jakkie Cillers descortina, não obstante, “bastante sentido” em algumas divisões de pastas – que permitiram a criação de mais ministérios e o alargamento da distribuição do poder pelos 11 partidos acolhidos no novo governo.

O analista olha com bons olhos a nomeação de Ronald Lamola para os Negócios Estrangeiros, e considera que houve “boas nomeações” no Ensino Básico e nos Assuntos Internos, pastas muito problemáticas no passado.

Por outro lado, Cilliers não considera “um problema” o facto de a DA não ter conseguido nenhuma das posições financeiras no novo Governo.

Se em aspetos como o empoderamento económico dos negros e a concorrência “existem diferenças enormes entre o ANC e a DA”, que levaram o partido dominante a impedir a entrada dos liberais neste reduto, “o novo governo estará bastante empenhado em dar a mão ao setor privado, em parte porque o Estado tem uma capacidade muito limitada”, explicou o analista.

“Penso que vamos assistir a mudanças bastante importantes em termos de gestão dos portos e caminhos-de-ferro e das empresas públicas, que acabarão por ser positivas, embora muitas dessas mudanças já tenham começado sob a anterior administração Ramaphosa”, afirmou.

“Há uma oportunidade real para desbloquear alguns dos obstáculos que têm inibido o crescimento económico na África do Sul”, concluiu Jakkie Cilliers.

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