Ucrânia: Rússia adverte contra tentativas de reconquista de regiões integradas

Lusa

A Rússia advertiu hoje que considerará como um ataque à sua integridade territorial qualquer tentativa de reconquista das regiões ucranianas que optarem pela integração na Federação Russa.

O aviso foi feito pelo porta-voz do Kremlin (Presidência), Dmitri Peskov, no dia em que começou a votação nas regiões controladas pelas forças russas em Donetsk e Lugansk, no Donbass, e Kherson e Zaporijia.

Questionado no encontro diário com a imprensa sobre se eventuais tentativas da Ucrânia de reconquistar os territórios anexados serão consideradas como ataques à Rússia, Peskov foi perentório: “absolutamente”, respondeu, segundo a agência oficial TASS.

Peskov admitiu que haverá procedimentos a respeitar após a votação a favor da integração, mas disse que o processo será rápido.

“Se houver um ato de entrada destes territórios na Federação Russa, então, em conformidade, as disposições relevantes da nossa Constituição já funcionarão”, afirmou.

A presidente do Conselho da Federação Russa, a Câmara Alta do Parlamento, Valentina Matvienko, disse hoje que este órgão tomará o “mais rapidamente possível” todas as medidas para a adesão das quatro regiões à Federação Russa.

A votação em Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia vai decorrer até 27 de setembro.

As autoridades pró-russas em Kherson disseram esperar que 750.000 pessoas compareçam às urnas, enquanto em Zaporijia há 500.000 pessoas registadas para votação, de acordo com a agência noticiosa russa TASS.

Em ambos os casos, será pedido aos participantes que respondam a uma pergunta: “É a favor de que a região deixe a Ucrânia, crie um Estado independente e se torne parte da Rússia?”.

No caso de Donetsk e Lugansk, será perguntado aos eleitores se apoiam “a entrada da república na Rússia como entidade constituinte da Federação Russa”.

A Ucrânia e a comunidade internacional não reconhecem a legitimidade das consultas.

Em 2014, a Rússia utilizou um referendo idêntico para legitimar a anexação da Crimeia, depois de ter invadido e ocupado esta península ucraniana situada na costa norte do Mar Negro.

Na mesma altura, eclodiu uma guerra separatista nas regiões de Donetsk e Lugansk com apoio de Moscovo.

O Presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu as autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk dias antes de ordenar a invasão de Ucrânia, em 24 de fevereiro deste ano.

Ao anunciar uma mobilização parcial para a guerra na Ucrânia, na quarta-feira, Putin disse que a Rússia apoiará a decisão que “será tomada pela maioria dos residentes das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk e das regiões de Zaporijia e Kherson”.

Putin avisou também que Moscovo poderá utilizar “todos os meios” no caso de uma “ameaça à integridade territorial da Rússia”, incluindo as armas nucleares.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) apelou, na quinta-feira, para que todos os Estados rejeitem tentativas de “conquista territorial” pela Rússia, insistindo que Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia são parte da Ucrânia.