O presidente da Reserva Federal (Fed), Jerome Powell, afirmou hoje que controlar a inflação "provavelmente vai exigir" que se mantenha uma política monetária "restritiva durante algum tempo".
Num discurso proferido no início da reunião de Jackson Hole, que reúne economistas e dirigentes de vários bancos centrais, Powell disse também que essa luta contra a inflação "afetará famílias e empresas", mas considerou que renunciar a repor a estabilidade de preços seria mais prejudicial para a economia.
Sobre a decisão que o banco central norte-americano pode vir a tomar em setembro sobre as taxas de juro, o presidente da Fed indicou que dependerá dos dados disponíveis nesse momento.
O regresso à estabilidade de preços "leva tempo" e vai implicar o uso "enérgico" das ferramentas da instituição, o que provocará "um longo período de crescimento económico mais fraco" e também "um abrandamento no mercado de trabalho", advertiu.
Com taxas de juro mais altas, um crescimento mais lento e um abrandamento no mercado laboral, a situação trará "alguns problemas para famílias e empresas", reconheceu o presidente do banco central.
Apesar disso, não tomar medidas seria pior, considerou.
"Em determinado momento será apropriado desacelerar o ritmo dos aumentos das taxas", mas "a história mostra que devemos ter cuidado para não flexibilizar a política monetária muito cedo", alertou Powell.
Os dados divulgados hoje pelo Departamento do Comércio mostram que a inflação homóloga desacelerou em julho nos Estados Unidos, passando para 6,3%, contra 6,8% em junho, segundo o índice PCE, que é o mais seguido pela Fed.
Um outro indicador de inflação divulgado nos Estados Unidos, o índice de preços no consumidor CPI, publicado no dia 10 de agosto, indicava uma taxa de inflação de 8,5% em julho contra 9,1% em junho, o que representa também um abrandamento na escalada de preços.
"Estas descidas de julho são bem-vindas, mas uma melhoria num mês apenas está longe de ser suficiente", indicou Powell.
"Devemos continuar até que o trabalho esteja feito", sublinhou.
A Fed já subiu as taxas de juro quatro vezes desde março, começando por um aumento de 25 pontos base para depois intensificar o ritmo, tendo aprovado dois aumentos consecutivos de 75 pontos base nas últimas reuniões de política monetária.
Na sua próxima reunião, nos dias 20 e 21 de setembro, deverá ser decidida nova subida das taxas de juro.
Lusa