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Mali: ONU teme ataque jihadista contra a cidade de Ménaka

JM-Madeira

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Data de publicação
13 Junho 2022
18:07

Um ataque jihadista contra a cidade de Ménaka, no Mali, poderá estar no horizonte após a saída do exército francês desta localidade, disse hoje o enviado das Nações Unidas (ONU) para este país perante o Conselho de Segurança.

"Desde o início deste ano, assistimos a uma deterioração na zona das três fronteiras (nas fronteiras do Mali, Níger e Burkina Faso) com os consequentes efeitos nas regiões de Ménaka e Gao", num contexto de reafetação das forças francesas Barkhane e europeias Takuba, disse El-Ghassim Wane, representante especial do secretário-geral da ONU no Mali.

Indicando que se deslocou a Ménaka há 15 dias, o funcionário da ONU disse que os seus "interlocutores não descartaram um ataque à cidade (...) onde 5.000 deslocados internos se abrigam".

"Se esse cenário se concretizar, a base MINUSMA (missão da ONU no Mali) corre o risco de ser vista como o último refúgio para civis que fogem da violência", disse Wane, numa reunião do Conselho de Segurança.

"Com o mínimo de forças malianas na região e cerca de 600 mantenedores da paz disponíveis para proteger civis, equipas e ativos da ONU, a capacidade da MINUSMA de montar uma resposta efetiva é limitada", alertou El-Ghassim Wane.

Nesse contexto de contínua insegurança, a França propôs oficialmente "continuar" o seu apoio aéreo à MINUSMA "de fora" após a saída do país europeu daquela região.

"Esse apoio é necessário para a MINUSMA e a proteção dos capacetes azuis", argumentou o embaixador francês na ONU, Nicolas de Riviére.

Se tal apoio foi decidido por ocasião da renovação este mês do mandato da MINUSMA, que termina a 30 de junho, terá de fazer parte de um quadro legal claro e com o acordo do Mali, especificou o diplomata francês.

Questionada sobre o assunto há várias semanas, Bamako ainda não respondeu formalmente à proposta francesa que é apoiada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

"Enquanto nos preparamos para renovar o mandato da MINUSMA, devemos estar lúcidos. A situação no Mali continua dramática. Quase dois milhões de pessoas ainda precisam de ajuda alimentar e um terço da população depende de ajuda humanitária. Grupos terroristas continuam as suas ações assassinas. A violência contra civis está a atingir níveis sem precedentes", disse Riviére.

"Neste contexto difícil, o Mali ainda precisa da MINUSMA. A França pretende, portanto, assumir o seu papel e propor a este Conselho a renovação do mandato da missão por mais um ano. (...) A França conta, portanto, com o apoio de todos os membros deste Conselho para o projeto de resolução que vamos distribuir ao final desta reunião. Estamos convencidos de que o acordo unânime do Conselho é novamente possível este ano", acrescentou o embaixador francês.

As próximas negociações de renovação de mandato ocorrerão no contexto de grandes mudanças no cenário de segurança no Mali. Desde o final do ano passado, a empresa de segurança privada russa - Grupo Wagner- foi enviada ao país e está a apoiar campanhas militares intensificadas pelas forças de segurança malianas no centro do Mali.

A França entregou hoje a base de Ménaka às Forças Armadas do Mali (FAM), penúltima etapa da saída da força antijihadista Barkhane do país, onde mantém presença militar há quatro anos para organizar a luta contra os grupos jihadistas no Sahel, segundo fontes oficiais.

O Ministério da Defesa francês afirmou em comunicado que a transferência da base de Ménaka foi realizada "com ordem, segurança e com total transparência", apesar dos "ataques" informativos "regulares" que a força francesa Barkhane sofreu para tentar "manchar a sua ação e sua credibilidade".

Essa retirada segue uma decisão já anunciada em 17 de fevereiro pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e é consequência dos atritos com a junta militar do Mali, que exigia a saída das tropas francesas.

LUSA

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