O Museu Quinta das Cruzes, espaço tutelado pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, através da Direção Regional da Cultura, recebe, esta quarta-feira, dia 25 de março, a partir das 15 horas, uma conferência sobre “Orquestras de Corda Madeirenses - Coletividades de Recreio e Cultura”. A conferência será proferida por Vítor Sardinha e destina-se ao público em geral, com entrada livre.
Como explica o conferencista, “o projeto de levantamento da História das Orquestras Madeirenses e Coletividades de Recreio e Cultura, envolveu vários processos de recolha e seleção do material documental. Os jornais do período compreendido entre 1890 e 1974 foram um suporte importantíssimo para esta investigação. As atividades divulgadas ao longo de anos permitiram compreender a natureza destas práticas musicais, o seu contexto sociológico, o ensino da música, os concertos públicos, as digressões de alguns grupos, entre tantos outros parâmetros. As fotografias do Arquivo do Museu Photographia Vicentes deram vida, na imagem a preto e branco, de um tempo distante, colocando em evidência os músicos e os seus instrumentos. Estas fotografias realizadas em estúdio revelam ainda o nível socioeconómico dos músicos, bem como a sua origem urbana ou rural”.
Vítor Sardinha acrescenta que “os instrumentos construídos por talentosos artesãos, os mestres violeiros madeirenses, marcaram a ilha. Uma verdadeira escola prática dominava a atenção de todos. Quer fossem cordofones tradicionais madeirenses, guitarra portuguesa ou bandolim, os músicos executantes tiveram nos mestres violeiros os companheiros ideais para levar a música um pouco por todo o lado. Entre tantos artesãos, de grande mérito e arte, salientar-se-ia entre outros, José da Silveira, também conhecido por «José guitarrista», que dominava as técnicas da construção das violas de mão, mas também da guitarra portuguesa e do bandolim. As mais conhecidas orquestras madeirenses dos anos 20, tiveram na sua mão o moldar dos melhores instrumentos, alguma vez construídos na Madeira, num epicentro de atividade que se estendia da Rua dos Tanoeiros às ruas circundantes da baixa do Funchal.”
Na conferência serão também abordadas as ‘’orquestras características madeirenses’’ e as ‘’orquestras de palheta’’, os contributos musicais de Manuel dos Passos de Freitas, Carlos Santos, Ernesto Serrão, Fernando Clairouin, Carlos Gomes, Alfredo Bernardino Pestana, entre outros (até 1974 o período investigado), assim como a partilha de espaços de apresentação, repertório, músicos e regentes envolvidos nestas práticas. O fenómeno das orquestras de bandolins será outro dos temas em foco.
O secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, sublinha a importância desta iniciativa para a valorização da memória cultural da Região.
“A realização desta conferência de Vítor Sardinha no Museu Quinta das Cruzes representa mais um contributo para o aprofundamento do conhecimento sobre a nossa história musical e sobre o papel relevante que as orquestras de corda e as coletividades recreativas tiveram na vida cultural madeirense.
Iniciativas como esta permitem preservar, divulgar e valorizar o património imaterial da Madeira, aproximando o público da riqueza da nossa tradição musical e do trabalho desenvolvido por músicos, artesãos e associações ao longo de várias gerações”, afirma.