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“Machico deixou-me desarrumado por dentro”, confessa Pedro Chagas Freitas (com vídeo)

Data de publicação
25 Maio 2026
14:20

A passagem de Pedro Chagas Freitas pela 14.ª Feira do Livro de Machico - Francisco Álvares de Nóbrega, este domingo, ficou marcada por momentos de forte emoção no âmbito da apresentação da obra ‘Hospital de Alfaces’, no Largo da Praça.

Horas depois do encontro com os leitores, o escritor partilhou uma longa mensagem nas redes sociais, onde confessou ter ficado “desarrumado por dentro” com o carinho recebido nesta sua presença em Machico.

No texto, descreve pessoas que aguardaram durante horas para o conhecer, levando livros “apertados contra o peito”, páginas sublinhadas, fotografias, cartas e presentes. “Vi pessoas que choram sem vergonha, que tremem antes de falar comigo”, escreveu, considerando, contudo, que os verdadeiramente “extraordinários” são os leitores.

  • “Machico deixou-me desarrumado por dentro”, confessa Pedro Chagas Freitas (com vídeo)

Pedro Chagas Freitas recorda vários testemunhos que recebeu ao longo da sessão, incluindo o de uma mulher que lhe disse que um dos seus livros a ajudou a sobreviver a um luto, ou o de um homem que lhe agradeceu por o ter ajudado a comunicar melhor com o filho.

“Acho que os textos que escrevo podem ser isto: pessoas partidas encontram outras pessoas partidas através de páginas”, partilhou, descrevendo a fila de leitores como “um grupo de sobreviventes”, unidos pelas suas perdas, medos, solidão ou dificuldades pessoais.

“Esta fila não é um grupo de pessoas; é um grupo de sobreviventes. Cada pessoa que ali estava trazia a história das suas amolgadelas: um medo, uma perda, uma doença, um divórcio, uma morte, uma infância complicada, uma solidão difícil de suportar, de sustentar. Mesmo assim, estavam ali, a oferecer-me amor.”

“Precisamos todos das nossas alfaces. Precisamos todos de um abraço, de uma frase, de uma pessoa, de uma paz mínima”, escreveu.

A mensagem termina com uma nota de esperança deixada pela experiência vivida em Machico: “Há pessoas que me olham como quem pergunta: ‘achas que ainda vale a pena acreditar nas pessoas?’ Há pouco, em Machico, senti que sim.”

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