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‘Em deriva’ exposto no Museu Etnográfico da Madeira

Data de publicação
12 Fevereiro 2024
15:24

O Museu Etnográfico da Madeira, espaço tutelado pela Secretaria Regional de Turismo e Cultura, através da Direção Regional da Cultura, inaugura, na próxima sexta-feira, dia 16 de fevereiro, pelas 17 horas, a instalação ‘Em deriva’ de Ricardo Barbeito.

A mostra, inserida no âmbito do projeto expositivo com o mesmo nome da Direção Regional do Ambiente e Alterações Climáticas - Secretaria Regional de Agricultura e Ambiente, com quem o Museu Etnográfico da Madeira (MEM) estabeleceu uma parceria em 2023, culmina, agora, com a inauguração da exposição do artista, naquela instituição localizada na Ribeira Brava.

Como explica Ricardo Barbeiro, a questão da poluição e das alterações climáticas não é recente e desde há várias décadas que este tema é debatido e trazido à superfície, não só, por organizações não governamentais, que reivindicam a mudança de paradigma, como iniciativas governamentais de preservação e conservação da natureza, bem como manifestações artísticas disseminadas um pouco por todo o lado. O lixo-marinho é um problema ambiental que não é novo e refere-se a resíduos sólidos que acabam por estar à deriva nos oceanos. Estes resíduos têm origem nas atividades humanas e incluem uma grande diversidade de materiais e objetos, que foram descartados inadequadamente, acabando por ser recolhidos e caracterizados em praias e zonas costeiras de acumulação, em diferentes pontos do Arquipélago da Madeira.

Assim, ‘Em deriva foi o título escolhido para definir esta exposição, que tem como base conceptual a possibilidade de derivações, ou desvios, que reforçam a necessidade de mitigar o problema do lixo-marinho que pelos oceanos anda a circular. A intervenção que se apresenta deve ser entendida como parte de um circuito expositivo, que se estende por diferentes lugares e assume múltiplas formas. Tal como o lixo-marinho, que se desprende, que se perde, se dissemina e acumula pelo espaço, se transforma, se fragmenta e se deforma, contaminando e interferindo com os ecossistemas, esta exposição dá a conhecer, reforçando, os processos de monitorização científica, a limpeza de praias e a sensibilização, promovidos pela Direção Regional do Ambiente e Alterações Climáticas, a partir do projeto “CleanAtlantic”.

A partir das atividades de recolha de resíduos à beira-mar depositados e a sua posterior seleção, e caracterização, bem como dos registos que foram feitos ao longo deste processo, pretende-se promover a reflexão sobre a emergência climática, estabelecendo conexões entre a arte, a ciência e a vida que permitam sensibilizar para a importância da preservação do ambiente como fator de coesão e sentido de pertença.

A instalação que agora se apresenta no Museu Etnográfico da Madeira, deve ser entendida como a continuidade da exposição que está patente na sala dos arcos da Reitoria da Universidade da Madeira e complemento da exposição que foi apresentada na Escola Secundária Gonçalves Zarco, “Estamos todos envolvidos nisto” e, partindo deste ponto de vista, com este projeto, criaram-se conexões profundas que se estendem a um vasto campo de possibilidades.

“Através de uma ocupação contaminante do espaço do museu e dos consequentes diálogos que se estabelecem, entre o lixo-marinho e a exposição permanente, percebemos que a fronteira que existe entre aquilo que é considerado lixo e aquilo a que se atribui valor museológico, vai depender apenas do olhar e do contexto. Assim, tal como um sistema de raízes que alimenta uma árvore, percebemos que as questões que estão ligadas à sustentabilidade e ao ambiente são, em simultâneo, causa e consequência de um jogo de tensões entre a necessidade e a produção, a identidade e a cultura”, refere o artista.

Ricardo Barbeito recorda que a charola é um elemento muito conhecido na cultura popular da Madeira. É um objeto etnográfico, normalmente associado às festividades religiosas e de celebração espiritual em agradecimento à fertilidade da terra. “Neste caso, a integração de uma charola construída em colaboração, reveste-se de especial significado quando a encontramos revestida por lixo-marinho, que foi recolhido pelos utentes do Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão da Ribeira brava e da Universidade Sénior, bem como alguns alunos da Escola Básica e Secundária Padre Manuel Álvares, no âmbito do Eco Escolas”.

“As ações colaborativas desenvolvidas e orientadas pelas professoras Louisa Roldão, Elisabete Ramos e Elisabete Andrade, em parceria com a técnica dos Serviços Educativos, Nélia Reis, promoveram, junto dos grupos que participaram neste projeto, o sentido de pertença e o espírito de solidariedade, construídos na base de uma experiência única e comum”, acrescenta.

A mostra “Em deriva” ficará patente ao público no MEM até 31 de maio próximo.

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