O colóquio “Sombra-Luz”, dedicado à vida e obra da artista madeirense Lourdes Castro, decorre entre 29 e 31 de janeiro, na Aula Magna da Universidade dos Açores, anunciou hoje o Governo da Madeira.
“O colóquio ‘Sombra-Luz’ constitui um momento fundamental de reflexão crítica e académica sobre a obra de Lourdes Castro, aprofundando os seus enquadramentos estéticos, conceptuais e técnicos, num diálogo qualificado entre especialistas, instituições culturais e a academia”, disse o secretário do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, à agência Lusa.
A iniciativa assinala o fim da “itinerância da exposição ‘Existe Luz na Sombra’, [que, com a] a realização deste colóquio nos Açores, traduz uma estratégia clara de cooperação interinstitucional e de descentralização cultural, promovendo a circulação do conhecimento, o acesso à criação artística contemporânea e o fortalecimento de redes culturais entre regiões”, adiantou Eduardo Jesus.
O governante madeirense considerou que “a articulação entre museus, universidades e entidades culturais é essencial para a produção de pensamento crítico e para a valorização do património artístico contemporâneo”.
Assegurando que a obra de Lourdes Castro “continua a ser estudada, interpretada e partilhada com diferentes públicos”, o responsável apontou que “o colóquio ‘Sombra-Luz’ assume também uma forte vocação educativa, ao aproximar os contextos académicos e as comunidades educativas dos processos de criação artística contemporânea, estimulando uma leitura informada, transversal e transdisciplinar da obra de Lourdes Castro”.
Para Eduardo Jesus, homenagear Lourdes Castro através de um projeto desta natureza “é reconhecer a atualidade do seu pensamento artístico, a sua singularidade no panorama das artes contemporâneas e a importância de preservar e aprofundar a sua memória no presente e para o futuro”.
Também realçou a estreia nacional da visita dançada “Gosto de andar à sombra”, da Companhia Dançando com a Diferença, com coreografia de Leonor Barata, integrada neste colóquio, “vincando o compromisso do museu “com práticas artísticas inclusivas, experimentais e interdisciplinares”.
No seu entender, “esta criação constitui um momento particularmente significativo do projeto, ao propor uma leitura sensível, corporal e performativa da obra de Lourdes Castro, ampliando a experiência expositiva através do diálogo entre artes visuais e dança contemporânea”.
O secretário regional mencionou que “esta iniciativa reforça o papel do MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira enquanto estrutura museológica de referência, responsável pela conceção, produção e direção artística de um projeto que projeta, em contexto nacional, o legado de uma das maiores artistas portuguesas do século XX”.
Dedicado à memória, vida e obra de Lourdes de Castro, artista maior do panorama da arte contemporânea, nascida no Funchal, em 1930, onde morreu em janeiro de 2022, aos 91 anos, este colóquio é promovido ao abrigo de uma parceria entre a Universidade dos Açores e os Governos da Madeira, dos Açores e da Sociedade Nacional de Belas Artes.
O colóquio está integrado na exposição “Existe luz na Sombra”, que tem itinerância nacional de um conjunto de mostras evocativas do legado desta artista, e é um projeto apoiado pela Direção-Geral das Artes, através da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea.
O projeto tem por base uma parceria do Governo Regional da Madeira, através da Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura – Direção Regional da Cultura, por via do MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira, responsável pela organização, produção e direção artística, e o Governo Regional dos Açores (Direção Regional de Cultura dos Açores), através do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas (acolhimento de exposição) e a Sociedade Nacional de Belas Artes (acolhimento de exposição).
O programa do colóquio resulta de um convite direcionado a um conjunto de especialistas em matéria de estudos em arte contemporânea, nas áreas de história, história de arte, museologia, filosofia, estética, linguística e artes performativas, nacionais e regionais.
No colóquio está prevista a participação da historiadora e museóloga Raquel Henriques da Silva, do curador e professor Nuno Faria, da cineasta Catarina Mourão, do arquiteto Victor Mestre, e dos historiadores, investigadores, ensaístas, curadores e artistas Isabel Soares de Albergaria, Rita Rodrigues, Graça Alves, Maria Emanuel Albergaria, Teresa Lousa, Leonor Keil, Paula Garcia, Cecília Vieira de Freitas e Leonor Barata.