A burguesia do teletrabalho

A semana passada tivemos uma entrevista ao jornal i pela Professora Susana Peralta que defendeu: “Houve uma parte substancial das pessoas em Portugal que não perderam rendimentos, toda a burguesia do teletrabalho, todas as pessoas do setor dos serviços que, aliás, são as pessoas mais bem pagas, o que também me inclui a mim. Esta crise poupou muito as pessoas que trabalham neste setor e são as pessoas com mais escolaridade. Podia-se perfeitamente ter lançado um imposto extraordinário sobre essas pessoas para dividirmos o custo desta crise”.

Esta parte da “burguesia do teletrabalho” podia muito bem pagar a crise, basicamente a professora está a dizer: “os funcionários públicos (onde se inclui os professores), empreendedores, empresas privadas de serviços” devem pagar a crise. Mas já não foi na crise anterior? Como é ficou o país?

Ainda o teletrabalho, aqueles que ficaram com os filhos? Deverão também pagar mais impostos? Só quem não tem filhos é que pode dizer isso. O esforço que os pais têm com as crianças em casa, em trabalhar e em colocá-los a estudar. Esses deviam receber mais e não pagar mais impostos. Deviam receber um abono, a sério!

Devemos inventar um imposto para aqueles que diariamente vão trabalhar, pois a pegada ecológica é superior (CO2 é superior) e prejudica o Mundo. Certo? Então os médicos, enfermeiros, profissionais de saúde em geral devem pagar mais impostos, pois não perderam rendimentos? As pessoas com mais escolaridade devem pagar a crise, apesar da forte emigração destes profissionais para o estrangeiro! O mais engraçado é que se fala: Portugal não pode ter a sua indústria assente no turismo. Claro que não! Nem do serviçalismo… Portugal precisa investir nas indústrias em que fomos fortes e não se modernizou, precisamos ser parte de um motor da Europa, não se pode ser unicamente a praia e as paisagens da Europa.

Os meus filhos, os vossos filhos, os meus amigos e colegas têm de viver em Portugal têm de produzir em Portugal! Não podemos continuar num país miserabilista, num país de fado, num país sem rumo desde as descobertas! Num país que contínua a exportar os seus melhores para o estrangeiro e lá é que eles são bons!

Felizmente, temos mais uma oportunidade, possivelmente a última desta geração, para fazer algo pelos portugueses, por nós, com o Plano de Recuperação e Resiliência!

O imposto que deve ser criado, é o imposto da consciência dos meus concidadãos que após tudo isto irão à tasca da esquina, ao restaurante da porta do lado, à loja de calçado local e à modista local. Este é o melhor imposto que pode ter!

A crise far-se-á sentir, não existam ilusões! Caberá ao Governo não deixar acontecer o que aconteceu da outra vez. Desta vez, os bancos terão que ser solidários, tais como o Povo foi anteriormente.

Já a TAP gostaria de questionar: como é possível, nós todos injetarmos milhões e não efetuam serviço público para a Madeira? Temos neste momento 1 único voo diário. Isto não é admissível! Nem nas piores greves da TAP tal aconteceu! Eu não quero viajar, mas quem precise de ir ao continente, seja por qualquer motivo, necessita que esta ligação funcione com um mínimo de 2 voos diários.

Em relação ao confinamento, os números melhoram, se calhar está na altura de começar a criar o plano de desconfinamento para a Madeira, isto é, algumas escolas estão vazias e para não existir cruzamento de alunos, fazer um ano ter numa semana aula, outro ano ter noutra semana e por aí fora. Os professores, esses devem e podem ficar na escola a dar aulas online e as presenciais. A Madeira tem de continuar na vanguarda das medidas e nas medidas certas para conseguirmos ter a economia a funcionar.

O Covid-19 não vai passar, vamos ter de nos habituar a viver com ele.

Post Scriptum: A semana passada houve um buzinão por causa de futebol, estranho é nunca existir um desses buzinões para os políticos e continuarmos com níveis de abstenção assustadores!