“Impacto da emigração madeirense nas Caraíbas tem sido enorme”

Marco Sousa

Jo-Anne Ferreira, é professora e investigadora em Trinidad e Tobago. A também conselheira da Diáspora madeirense descreveu uma emigração que foi “pioneira em muitas áreas”.

Jo-Anne Ferreira, é cidadã da República de Trinidad e Tobago (T&T) nas Caraíbas. A lusodescendente – cujos bisavós paternos são naturais da Madeira – é uma verdadeira mulher dos sete ofícios.

“Sou linguista, professora e investigadora. A minha pesquisa foca-se no resgate das línguas e culturas de herança, aqui em T&T, em perigo de extinção”.

A conselheira da Diáspora madeirense nas Caraíbas assume que “apesar de ser da terceira geração, não criada com a língua de Camões”, desde jovem sentiu a ligação à Madeira, através da avó, filha e neta de madeirenses, “que tinham muito orgulho de ser trinitária e portuguesa”.

As vagas da emigração

Segundo a lusodescendente, a emigração madeirense para Trinidad começou em 1834 e parou em 1975. “Havia várias vagas e ondas de emigração madeirense”.

“Há bastante escrito em português sobre a nossa comunidade, sobretudo de Trinidad, não apenas do século XIX, mas relatos e análises contemporâneas feitos por Miguel Vale de Almeida, Ferreira Fernandes, António de Vasconcelos Nogueira do continente, Luís Ritto, Naidea Nunes Nunes e Vítor Freitas Teixeira da Madeira. O João Adriano Ribeiro escreveu sobre São Vicente e as Granadinas, a Helena Marques sobre a Guiana/Demerara e com certeza existem outros”, descreveu.

Atualmente, “não há mais emigrantes madeirenses”, apenas “alguns que já têm mais de 75 anos, que nasceram na Madeira e vieram para aqui com 2 ou 3 anos”.

Jo-Anne Ferreira conta que existem mais de cem cidadãos portugueses de origem madeirense com passaporte português (e outros que não têm um passaporte português), mas a maioria nasceu no país.

“Sem qualquer preconceito, eu diria que o impacto da emigração madeirense nas Caraíbas tem sido enorme, apesar de ser uma minoria dentro da minoria europeia. Em Trinidad e Tobago, os madeirenses contribuíram no comércio (sobretudo na indústria do rum, mas muito além disso também), à política, à música, ao desporto, às artes, à religião, e muito, muito mais”, acrescentando que em muitas áreas, os madeirenses “foram pioneiros, inclusive no Carnaval, o calypso e o steelpan de Trinidad e Tobago, no negócio, na literatura (o Sir Sam Mendes é neto de um dos nossos pioneiros literários, o Alfred H. Mendes), na aviação, na arquitectura, e mais”, regozijou-se.


“Na política, o nosso primeiro chefe ministro antes da independência foi o Albert Maria Gomes (filho de um madeirense), e havia outros luso-descendentes na área da política aqui, na Guyana e sobretudo em São Vicente e as Granadinas”.