D. Nuno Brás celebrou missa de Encerramento das Comemorações dos 500 Anos do Voto a São Tiago Menor

“As leituras de hoje, próprias do XXXII Domingo do Tempo Comum (Ano B), colocam diante dos nossos olhos a pobre viúva que, no Templo de Jerusalém, deu ‘tudo o que tinha’. E que, por isso, ‘deu mais que todos os outros’”, foi deste modo que o bispo do Funchal principiou hoje a missa de encerramento das comemorações dos 500 Anos do Voto a São Tiago Menor, na Sé do Funchal.

“Creio, irmãos que este é o grande desafio que hoje nos é colocado. E, de um modo muito particular, aos membros das Confrarias do Santíssimo desta nossa Ilha. Que temos para dar? Que podem os membros das Confrarias do Santíssimo fazer com os poucos recursos que têm, para além da festa anual? Podes dar-te a ti mesmo. Podes unir a tua vida à vida de Deus. Podes deixar que Deus esteja presente, que Ele partilhe tudo o que és (mesmo o teu pecado — para o transformar, para o converter). E essa presença de Deus constitui — não tenhas dúvidas disso! — a maior riqueza que um cristão pode oferecer a Deus e ao próprio mundo!”, disse D. Nuno Brás no início da homilia.

O bispo do Funchal afirma que “o grande problema do nosso mundo é que Deus está ausente dele. O grande problema do nosso mundo é que nós julgamos poder resolver tudo sem Deus, e que bastam a nossa sabedoria, o nosso engenho, as nossas artimanhas e a nossa esperteza”.

A partir da Sé do Funchal, o responsável católico lembrou que “o milagre da Eucaristia não é apenas (e como seria já grande!) a possibilidade de ver a Deus, percebê-lo presente, hoje, connosco. O milagre da Eucaristia é bem maior: é o facto de ela nos transformar, a cada um de nós, em presença de Deus! Membros do corpo de Cristo! Pequeno grão de trigo, quase invisível e insignificante, mas que recebe todo o seu valor do Pão que é Cristo, e que, desse modo, se torna presença, anúncio, alimento de um novo modo de viver”.

“Despedimo-nos hoje da relíquia de S. Tiago Menor que, por autorização do Santo Padre, deixou a sua ‘casa’ em Roma para peregrinar pelos nossos arciprestados, paróquias, comunidades, pela nossa Diocese”, escreve no texto da homilia, enviado às redações.

Nuno Brás recorda que “há 500 anos, os nossos antepassados confiaram-se nas mãos do Apóstolo mártir, Irmão do Senhor, primeiro Bispo de Jerusalém, conhecido entre os seus com o cognome de “o Justo”. A figura de S. Tiago Menor foi muitas vezes idealizada e, como a de tantos outros santos, apresentada de tal modo que quase nos parece impossível viver segundo o seu exemplo”.

O bispo disse ainda que “esta pequena porção do fémur de S. Tiago, pequeno osso, mortal e frágil, vem mostrar-nos, antes de mais, que os Apóstolos, os Santos, os Mártires eram (e são) homens e mulheres como nós: de carne e osso; frágeis; pecadores”.

Na parte final da homilia, o responsável católico lembra que “o primeiro e grande apelo que a relíquia de S. Tiago Menor nos faz é precisamente esse (que queremos permaneça no nosso coração): ainda hoje, 2 mil anos depois, ela diz-nos que é possível ser santo; é possível viver como santo; é possível ser presença de Deus neste nosso mundo e, assim, transformá-lo, torná-lo mais humano porque mais divino!”.

“Que S. Tiago Menor interceda por todos nós, e nos ajude a, ao longo de toda a nossa vida, em cada dia que passa, irmos adquirindo as feições interiores de Cristo, nosso Redentor, alimentados pela Eucaristia, tornados presença de Jesus neste nosso mundo, nesta nossa Ilha”, rematou.