Bispo do Funchal frisa que comemorações dos 500 anos do voto a São Tiago Menor não podem constituir apenas “fogo de vista’”

O bispo do Funchal presidiu esta manhã, na Sé, à missa de abertura das comemorações dos 500 anos do voto a São Tiago Menor, padroeiro da Diocese do Funchal.

Na homilia, o bispo recordou que há meio século atrás, “os madeirenses se confiaram à intercessão de S. Tiago Menor — consagração renovada por diversas vezes ao longo da história — fizeram-no num momento de aflição. Fizeram-no repetindo o gesto com que, logo depois da ressurreição do Senhor, os discípulos de Jerusalém escolheram Matias para o lugar que Judas tinha deixado vazio no grupo dos Doze: depois de rezar, pediram a uma criança (sabemos que se chamava João) que retirasse de um barrete o nome do nosso Padroeiro. A sorte (que aqui não tem o significado de ‘acaso’, mas de disponibilidade para a vontade divina) recaiu em S. Tiago Menor”.

Neste sábado, D. Nuno Brás frisou que estas comemorações hoje iniciadas “não podem constituir, simplesmente, ‘fogo de vista’ ou um conjunto de iniciativas culturais a recordar o passado”.

“Hão de antes contribuir para conhecermos melhor a rica personalidade do nosso Padroeiro; hão de ajudar-nos a viver os ensinamentos tão ricos da Carta que, entre os escritos neotestamentários, traz a sua autoria; hão de levar-nos a revisitar os acontecimentos da nossa história diocesana e a tomarmos consciência de como Deus se faz presente na nossa vida quotidiana, concreta, oferecendo-nos a salvação, dando-nos a possibilidade de viver em Cristo ressuscitado. Mas, sobretudo, hão de contribuir para que, também em nós, surja este grito, esta urgência: ‘Não podemos não falar!’”, acrescentou.

Nesta cerimónia de abertura dois dos seminaristas, José Alberto e Patrício, receberam o ministério dos acólitos.

“Para eles, trata-se de mais uma etapa na resposta que querem dar ao Senhor que, hoje como outrora, nos diz a todos: ‘Ide pelo mundo inteiro’. Para a Igreja, em particular para a nossa Igreja do Funchal que, deste modo, reconhece o caminho por eles percorrido até aqui, trata-se também de lhes confiar o serviço mais próximo do altar e da Eucaristia, de que passam a ser ministros extraordinários — de lhes entregar o serviço dos seus bens preciosos”, aditou.

Por fim, D. Nuno Brás relembrou que “tudo quanto vivemos, caros irmãos, ultrapassa-nos, é maior que nós. Mas a Sua presença em nós faz surgir no nosso coração a urgência do Evangelho: ‘Não podemos não falar!’”.