“Deus confia-nos, a nós sacerdotes, a missão de O tornar presente”, diz D. Nuno Brás aos sacerdotes na Missa Crismal

Guadalupe Pereira

O bispo do Funchal preside esta manhã, na Sé, à Missa Crismal classificando-a como “a derradeira celebração da Quaresma”, salientando “que tudo ficará preparado para vivermos com densidade interior a celebração do tríduo pascal de Cristo morto, sepultado e ressuscitado”.

Recordando ainda que “a instituição do sacerdócio ministerial está intimamente ligada à instituição da Eucaristia”.

Elucidando, que esta é a “possibilidade de manifestar, diante de todos, o nosso empenho, a nossa vontade em permanecermos fiéis à missão que o Senhor nos confiou, e a que também nós nos consagrámos — certos da assistência da Sua misericórdia, entregando tudo o que somos e temos, para que a salvação de Cristo resplandeça hoje como presença eficaz no meio do mundo”.

“Deus confia-nos, a nós sacerdotes, a missão de O tornar presente, visível, atuante, vivificador da vida dos demais” observa.

Neste ano pastoral em que a Diocese aprofunda a eucaristia, o Bispo escreve que “a celebração eucarística constitui uma dimensão central da vida de cada sacerdote”, pois “somos aqueles que celebram a Eucaristia para os filhos de Deus — e que o podem fazer porque sacramentalmente configurados com o único sacerdote que é Jesus Cristo”.

“Para que isso aconteça, para que o “hoje” de Cristo possa aparecer e interpelar, ser vida e acontecimento, é indispensável a vida sacramental (vida de Cristo em nós, vivida e celebrada: liturgia!). É ela que permite dizer, no aqui e agora, o mistério pascal de Jesus; que nos permite, hoje, viver daquele mesmo e definitivo acontecimento redentor, com a mesma frescura e entusiasmo dos que foram suas primeiras testemunhas”, escreve D. Nuno Brás.

No documento enviado ao Jornal, o bispo do Funchal no ponto dois da homilia, realça que “em Jesus, a redenção não foi uma mera função a ser desempenhada, mas um acto pleno de oferta de toda a sua pessoa. O serviço da salvação não poderá nunca deixar de ser o todo de uma vida, que tudo absorve, que a tudo oferece centro e sentido. Com razão, quando os nossos contemporâneos se querem referir a uma entrega que, sem admitir pausas ou intervalos, empenha a vida inteira de alguém, a ela se referem por analogia, dizendo que é como “um sacerdócio”!

“Por isso, em nós, sacerdotes, o mistério da Eucaristia há-de aparecer, claro, manifesto, a dar qualidade à nossa vida interior e a mostrar-se no modo como somos com os outros e para os outros: Cristo em nós, a tornar possível o acesso de todos à salvação”, observa.

“Neste tempo de pandemia, o mundo contemporâneo precisa de quem lhe abra janelas de horizonte e de sentido, janelas de Deus”, neste momento absolutamente singular, disse D. Nuno Brás ao Padres presentes na catedral.

D. Nuno Brás vai presidir esta tarde, à Missa da Ceia do Senhor, às 16h30, na Sé. Amanhã, celebra a Paixão do Senhor também às 16h30, na catedral diocesana.

No sábado, o bispo do Funchal preside à vigília pascal, à porta fechada, na igreja da Boa Nova, com transmissão online; no domingo, regressa à Sé do Funchal para a Eucaristia de Páscoa, às 11h00.