O chefe do executivo da Madeira (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, disse hoje esperar que o futuro Presidente da República nomeie um representante para a região autónoma de origem madeirense, vincando ser este o “entendimento” da população do arquipélago.
“Hoje há do ponto de vista da população da Madeira um entendimento que a instituição de representante da República deve ser atribuída a um madeirense, como foi anteriormente, e correu muito bem, porque sendo uma pessoa de cá, conhece a realidade intrínseca e as particularidades e especificidades da região”, afirmou.
Miguel Albuquerque, também líder da estrutura regional do PSD, falava aos jornalistas após ter votado numa mesa instalada na Escola Básica da Ajuda, na freguesia de São Martinho, no Funchal.
“Parece-me que vai acontecer uma segunda volta, mas o que vai acontecer nesta eleição [primeira volta] já vai ser importante para determinar qual o perfil do próximo Presidente da República”, sustentou, acrescentado que, neste momento, Portugal precisa de um Presidente da República que seja “fator de estabilidade, de consistência e que garanta a governação e o progresso do país”.
Albuquerque alertou que o país não pode viver “uma situação de desestabilização, de polarização, de alimentar um conjunto de radicalismos e de populismos”, que, segundo disse, “não levam a lado nenhum”, sublinhando que o futuro Presidente da República deve assegurar a estabilidade das instituições.
“Só espero [...] a eleição de um Presidente que tenha o bom senso de garantir a estabilidade e que tenha o bom senso de garantir que não é um fator de perturbação do regime”, vincou.
Miguel Albuquerque, que lidera o Governo madeirense desde 2015, disse, por outro lado, que, caso o candidato que apoia – Luís Marques Mendes – não passe à segunda volta, “não será nada que não se resolva”, realçando que o executivo regional tem de manter relações institucionais com o Presidente da República, seja qual for o eleito.
“O Presidente da República tem obrigação de ser o Presidente de todos os portugueses e levar em linha de conta que Portugal é um país descontinuado e que tem duas regiões autónomas que precisam de atenção. Se isso acontecer, estamos preparados para estabelecer relações institucionais e de cooperação com qualquer eleito”, declarou.
“É importante para os madeirenses que o próximo representante da República seja da Madeira”, disse, acrescentando: “Em segundo lugar, que seja uma personalidade que não venha para aqui extravasar e arranjar confusões e que, à semelhança com o que aconteceu com o anterior [atual] representante da República, seja um fator de cooperação, diálogo e de estabilidade para as instituições regionais.”
O cargo de representante da República para a Madeira é exercido há 15 anos pelo juiz conselheiro madeirense Ireneu Cabral Barreto, que já se manifestou indisponível para prosseguir as funções.
O líder do governo regional manifestou-se, por outro lado, preocupado com a abstenção nestas eleições.
“Penso que a abstenção vai ser alta, mas se for menor do que aconteceu em 2021 é bom”, disse.
Nas eleições presidenciais de 2021 registou-se uma abstenção de 60,76%, a mais elevada de sempre em presidenciais, num sufrágio que foi realizado durante a pandemia de covid-19.
Mais de 11 milhões de eleitores são hoje chamados a escolher o novo Presidente da República, que irá suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, que atingiu o limite de mandatos, sendo 11 os candidatos aceites, um número recorde.
As assembleias de voto para as eleições presidenciais abriram às 08:00 de hoje em Portugal Continental e na Madeira, encerrando às 19:00.
Nos Açores, as mesas de voto abrem e encerram uma hora depois em relação à hora de Lisboa, devido à diferença horária.
Para o sufrágio de hoje estão inscritos 11.039.672 eleitores, mais 174.662 do que nas eleições presidenciais de 2021.