Depois de uma leitura global sobre o turismo regional, Luiz Pinto Machado, do Observatório de Turismo da Universidade da Madeira, fez um enquadramento de Machico, focado na relevância crescente de Machico, cuja posição geoestratégica constitui uma vantagem competitiva singular.
Localizado entre o aeroporto internacional e a costa leste da ilha, o concelho apresenta-se como porta de entrada privilegiada da região, combinando acessibilidade, paisagens diversificadas e identidade cultural enraizada. Esta localização estratégica permite captar fluxos turísticos significativos e posicionar o município como ponto de distribuição para outras áreas da ilha.
O dinamismo regional verificado em 2025 refletiu-se diretamente em Machico, que acompanhou a tendência de crescimento de hóspedes e dormidas. Contudo, sublinhou o especialista, em termos de desempenho operacional, Machico apresenta taxas de ocupação correspondentes a 88% da média regional, enquanto o RevPAR e o ADR representam 67% e 75% da média, respetivamente. Estes dados indicam margem significativa para valorização do destino.
Um aspeto particularmente relevante prende-se com o peso do alojamento local. Em 2024, a Madeira registava 38.430 camas em alojamentos turísticos, das quais 1.822 situavam-se em Machico. A elevada proporção deste segmento suscita debate quanto ao equilíbrio entre crescimento turístico e sustentabilidade territorial, levantando questões sobre pressão urbanística e capacidade de resposta das infraestruturas locais.
O concelho demonstra capacidade para beneficiar do ciclo positivo do turismo madeirense, reforçando progressivamente a sua atratividade. Destacam-se, neste contexto, os projetos de valorização da frente-mar e da marina, que abrem novas oportunidades no turismo náutico, na vela oceânica e em atividades marítimo-turísticas de elevado valor acrescentado. Esta aposta permite diversificar a oferta e captar segmentos com maior poder de compra. A seu ver, as ideias lançadas por Hugo Marques na sua intervenção “não são utópicas”.