A nível regional, o crescimento acelerado do turismo também implica impactos negativos que exigem gestão estratégica, sustentou Luiz Pinto Machado, na sua intervenção no Fórum ‘Machico na rota do Turismo’.
Entre os principais desafios destacam-se a pressão sobre recursos naturais como água e energia, a produção de resíduos, a sobrecarga de trilhos e zonas costeiras e o risco de perda de autenticidade cultural. Acrescem ainda preocupações sociais, como dependência económica excessiva do setor, desigualdades salariais e precariedade laboral.
Perante este cenário, sublinhou o responsável pelo observatório do Turismo, o papel da autarquia torna-se determinante na definição de prioridades de investimento.
A redução progressiva do diferencial histórico de rendimento por quarto disponível face à média regional reforça a atratividade para investimento privado, especialmente em alojamento local qualificado e hotelaria de pequena e média escala. Projetos de requalificação urbana, valorização da frente marítima e diversificação da oferta complementar poderão consolidar Machico como destino turístico sustentável e competitivo.
As conclusões que submeteu aos presentes no evento promovido pelo JM, em parceria com a autarquia, apontam para um concelho em clara ascensão. O desempenho recente demonstra alinhamento com a dinâmica regional em hóspedes e dormidas, enquanto os indicadores económicos revelam valorização progressiva. Machico reforça a sua relevância estrutural na geografia turística da Madeira, aproximando-se gradualmente dos padrões médios regionais.
As oportunidades de desenvolvimento são evidentes: turismo náutico, valorização da frente-mar, reabilitação urbana e diversificação de produtos turísticos podem reforçar a atratividade do concelho. No entanto, o sucesso futuro dependerá da capacidade de equilibrar crescimento com sustentabilidade, preservando identidade cultural e qualidade de vida da população local.
Ao nível das políticas públicas, emergem prioridades claras: valorização salarial para atrair profissionais qualificados, melhoria das condições de trabalho e reforço da formação técnica e profissional. A diminuição do número de estudantes no ensino profissional exige novos modelos formativos adaptados às exigências do setor.
Machico encontra-se, assim, num momento decisivo da sua trajetória. Se conseguir alinhar investimento estratégico, qualificação profissional e gestão sustentável do território, poderá afirmar-se como um dos polos turísticos mais dinâmicos da Madeira, contribuindo de forma determinante para a prosperidade regional.