O coordenador do Observatório do Turismo da Universidade da Madeira, Luiz Pinto Machado, é um dos oradores convidados para o Fórum ‘Machico na rota de Machico’, apresentando uma leitura estratégica do concelho nesta linha sustentada por vários fatores e números.
“Machico está num novo patamar de relevância dentro da Madeira”, comentou o especialista.Aliás, na reflexão regional do setor, o orador sustentou que o turismo se consolidou como um dos principais motores de desenvolvimento económico e social à escala global.
De acordo com a Organização Mundial do Turismo, o setor representa um poderoso catalisador de crescimento, geração de emprego, qualificação profissional e dinamização de economias regionais. Esta visão enquadra-se diretamente no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8, que promove trabalho digno, crescimento económico sustentado, produtividade e inovação.
Neste contexto internacional favorável, a Madeira destaca-se como um caso de sucesso, vivendo atualmente um dos períodos mais sólidos da sua história turística, enfatizou.
Um dos segmentos que a Madeira tem vindo a apostar e que Machico pode beneficiar é com o golfe, disse, lembrando o crescimento de receitas em dois dígitos. O turismo focado na receção de iates é outro ponto a explorar.
Numa leitura dos números mais recentes, Luiz Pinto Machado, o arquipélago registou 2,4 milhões de turistas e cerca de 12,8 milhões de dormidas, refletindo um crescimento de 9,4% e 8,4% face ao ano anterior. Quando comparados com 2010, os números tornam-se ainda mais expressivos: aumentos de 190% no número de turistas e 152% nas dormidas.
Este desempenho demonstra não apenas recuperação, mas uma trajetória consistente de expansão ao longo de mais de uma década. Contudo, o crescimento do turismo madeirense não se limita ao volume de visitantes - o verdadeiro destaque reside na valorização económica da atividade.
Os proveitos totais do setor aumentaram 18% em 2025 face ao ano anterior, enquanto o RevPAR (rendimento por quarto disponível) cresceu 17%, atingindo 105 euros na hotelaria. O ADR (preço médio por quarto) registou valores ainda mais elevados, fixando-se em 125,11 euros no conjunto do alojamento turístico e 128,99 euros na hotelaria, representando um aumento de 14,5%.
Estes indicadores revelam maior capacidade de atração de procura qualificada, com turistas dispostos a pagar mais por experiências diferenciadas e serviços de maior qualidade. A região confirma, assim, uma evolução sustentada assente em competitividade, diversificação da oferta e reforço da sua imagem como destino premium.