O investigador João Baptista alertou hoje para as fragilidades que persistem na ilha da Madeira tornando-a vulnerável a catástrofes ambientais, como a aluvião do ‘20 de Fevereiro’ ocorrida há 15 anos.
A par das aprendizagens, que diz ter havido, alerta para a construção em zonas de risco, nomeadamente, no Funchal, no curso médio da ribeira de São João, para onde foi anunciado no ano passado um pavilhão multiusos, que, segundo disse aos jornalistas, está numa zona de “suscetibilidade muito elevada”, de acordo com a Carta de Galgamentos e Cheias.
“Continuamos com uma natureza muito doente, frágil e vulnerável. Não nos podemos esquecer dos incêndios que ocorreram em agosto do ano passado, que afetaram quatro concelhos (Ribeira Brava, Ponta do Sol, Câmara de Lobos e Santana). O território continua frágil, continua doente e a precisar de intervenções urgentes”, declarou o professor universitário momentos antes de dar início a uma conferência que assinala a efeméride.
João Baptista assinala como aprendizagens, as estruturas de retenção de carga sólida construídas nas ribeiras, a faixa corta-fogo, os planos municipais de emergência e proteção civil e as campanhas de sensibilização realizadas com o envolvimento dos órgãos de comunicação social.
Os 15 anos do ‘20 de Fevereiro’ estão a ser assinalados também, no Museu da Eletricidade - Casa da Luz, com uma exposição de fotografias do dia da aluvião, que matou dezenas de pessoas e transfigurou parte da Madeira, nomeadamente a baixa do Funchal e a Serra de Água (Ribeira Brava), duas realidades dominantes entre os registos de oito fotógrafos madeirenses, imagens do RG3 e outras do autor da iniciativa, Filipe Afonso.
A exposição, patente até 20 de março, tem também uma componente artística e um vídeo com imagens da RTP Madeira, que testemunham a fúria da enxurrada e os estragos.