Miguel Albuquerque afirmou esta tarde que Portugal enfrenta uma decisão estratégica sobre o futuro da política de segurança e defesa, sendo que sublinhou para a importância de uma orientação atlântica. As declarações foram feitas aos jornalistas no âmbito da conferência do Curso de Defesa Nacional.
“O desafio é qual será a política de segurança e defesa do país, ou continental ou atlântico”, afirmando que se trata de “uma decisão importantíssima do ponto de vista do interesse nacional para os investimentos que vão ser realizados nos próximos anos”.
Segundo o presidente do Governo Regional, a questão ganha ainda mais relevância perante os investimentos previstos no setor. “É um empréstimo com grandes condições, quer de pagamento, que é com juros baixos da União Europeia de cerca de 5.800 milhões de euros”, referiu, acrescentando que o essencial será decidir “como é que esse valor será aplicado no quadro da Estratégia Nacional de Segurança e Defesa”.
Para o governante, uma estratégia centrada no continente europeu tem limitações geopolíticas para Portugal. “A política continental não tem muito sentido”, frisou, defendendo que o país deve aproveitar a sua posição geográfica.
“Se for atlântico, nós temos que aproveitar aquilo que se diz que é a geografia útil”, afirmou, lembrando que o Atlântico voltou a assumir centralidade na defesa. “O Atlântico volta a ser central num contexto de defesa”, destacou, apontando como exemplo os cabos submarinos de dados e a localização estratégica da Madeira e dos Açores.
Por seu turno, o coronel e diretor do curso, João Assis Barbas, explicou que este curso tem como objetivo promover o pensamento estratégico no país. “Este curso visa formar e contribuir para o pensamento estratégico em Portugal”, afirmou.
Segundo o coronel, o curso reúne participantes de diferentes áreas da sociedade portuguesa. “Os auditores que frequentam o curso são designados institucionalmente ou são resultado de candidaturas individuais ao curso”, explicou, acrescentando que o programa aborda vários temas relacionados com estratégia e segurança. “O curso aborda temas diversos na área da estratégia, das relações internacionais, da geopolítica, da economia, do direito e procura contribuir para pensar estrategicamente no país”, disse.
O responsável sublinhou que o objetivo é aproximar os participantes da realidade nacional. “A intenção é sair das conferências e conhecer a realidade do país nas suas várias dimensões”, afirmou.
O Curso de Defesa Nacional tem atualmente 45 participantes, provenientes de diferentes setores da sociedade. “Eu costumo dizer aos conferencistas que são uma imagem da sociedade portuguesa”, disse João Barbas, explicando que entre os auditores há representantes de autarquias, academia, empresas, ministérios, forças de segurança e Forças Armadas.
Além de participantes portugueses, o curso inclui também representantes de países lusófonos. “Temos também oito auditores de países amigos de língua oficial portuguesa”, revelou, incluindo participantes de Angola, Brasil, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Moçambique.
João Barbas esclareceu que este é o 50.º aniversário do Curso de Defesa Nacional, tendo começado em 1976.
O curso integra conferências e visitas de estudo em várias regiões do país, permitindo aos participantes analisar os desafios estratégicos atuais, incluindo o contexto internacional.
De acordo com o coronel, o curso decorre ao longo de cerca de seis meses. No ano passado iniciou-se na última semana de outubro e terminará a meados do mês de maio.
Já a visita em apreço realiza-se durante três dias, terminando quarta-feira.