A educação deseducada

Quem aceita ser ministro, deve ao menos perceber os limites do ridículo, para evitar fazer figuras tristes, parecer ignorante e evitar envergonhar o governo de que aceita fazer parte.

De entre esses limites deve constar o conhecimento mínimo da organização política e administrativa do país, para não exibir impreparação a torto e a direito.

O ministro da Educação português parece o protótipo perfeito desta falta de predicados.


1. Ter vergonha

Durante a semana que passou João Costa, que ocupa o lugar de ministro da Educação em Portugal, quis mostrar como está impreparado para falar da carreira dos professores (atores essenciais da área que tutela).

Numa entrevista dada à LUSA, explicou porque motivo o Governo da República não seguiu o exemplo das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, na recuperação integral do tempo de serviço dos professores, congelada no tempo da troika. Os famosos nove anos, quatro meses e dois dias.

Disse o ministro que a Madeira e os Açores fizeram essa recuperação do tempo, porque apenas têm de pagar o salário e quando um professor se aposentar, estas Regiões não têm de pagar a sua reforma mas sim o Orçamento do Governo da República.

Se isto de per si, é uma demonstração profunda de ignorância quanto ao modo como funciona o sistema de pensões em Portugal, mais grave foi o exemplo dado – como forma de fundamentar o seu “pensamento”. Disse: “se eu pudesse dizer assim, muito bem, os professores que estão aqui, no continente, quando se aposentarem, outro paga, se calhar também tinha condições para recuperar integralmente o tempo de serviço. Se calhar não. Tinha de certeza. Dizia assim, muito bem, agora a Espanha paga as pensões e as aposentações de todos. Portanto, nós temos de ter seriedade na forma como analisamos estas questões”.

Como é possível?

Isto são palavras de um ministro da Educação?

Tanta desonestidade intelectual junta, tanto desconhecimento, tanta intrujice é possível num homem só?

Que vergonha ter João Costa como ministro.

Que insulto à inteligência de todos nós, a fundamentação patética, falsa e desonesta, que não parece merecer repúdio por parte dos Socialistas – de cá e de lá!


2. Não ter vergonha

O ano letivo arrancou em Portugal e pelos menos a uma disciplina, cerca de 60 mil alunos não terão professor.

O ministro da Educação ficou feliz pois a previsão da PORDATA dizia que iam ser 100 mil. Logo o ministro da Educação está feliz pela conquista. Menos 40 por cento do que diziam os estudos.

Mais de 1100 horários sem professor? Uma conquista, congratulou-se João Costa!

Para além do absurdo que isto representa, importa elucidar o seguinte: o estudo da PORDATA o que dizia (quando foi publicado em março de 2022), é que se Portugal continuar com o mesmo método de contratação de professores, daqui a um ano (logo em março de 2023), olhando ao número de reformas que acontecerão neste período, existirão 110 mil alunos com pelo menos um professor em falta. E 250 mil em 2025.

Uma vez mais o ministro distorce e finge ter resultados positivos.