Juntos pela Madeira

Um novo ano é, por norma, um momento de reflexão e de avaliação dos valores e estratégias que nos regem enquanto cidadãos, mas também enquanto agentes de decisão política.

Com as mensagens de “Ano Novo, Vida Nova” alimenta-se uma genuína vontade de mudança. E, somos nós, necessariamente, os impulsionadores de tudo aquilo que desejamos que mude daqui em diante.

Há pouco tempo, tive oportunidade de (re)ler as eternas palavras do (também eterno) José Saramago: “A viagem não acaba nunca. O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.”

Viajar é, portanto, na lição do viajante, recomeçar, mas mudando para caminhos novos. E, de facto, este novo ano traz consigo uma clara oportunidade de mudar algo na vida de todos os madeirenses, já a partir do próximo dia 30 de janeiro.

Esta é uma oportunidade única para atingirmos novas metas. E são-nos sempre prometidas “novas metas” em períodos eleitorais, por parte de quem nos governa e por parte daqueles que nos têm representado na República. O problema prende-se com a falta de efetiva resolução dos velhos problemas.

Aguardamos uma saúde que não condene os madeirenses a esperar anos a fio por uma solução para os 100 mil atos médicos em lista de espera. Que, de uma vez por todas, resolva a situação de quem, durante anos, aguarda com sofrimento e incapacidade.

Aguardamos uma ligação marítima com o continente e mantemos a incerteza em garantir uma nova solução para os absurdos preços das viagens aéreas. Algo que é defendido pelo PSD-M e PS-M, mas que, curiosamente, não consta no programa eleitoral nem de Rui Rio, nem de António Costa.

Aguardamos uma governação firme, que permita uma solidez económica e social… e que defenda os nossos direitos constitucionais, enquanto Portugueses insulares.

Aguardamos a prometida baixa de impostos, agravados por uma dívida pública que condena os madeirenses a pagar mais do que lhes seria devido… nas compras de supermercado, nos combustíveis, nas telecomunicações… negando um alívio determinante para os madeirenses e para as empresas regionais.

Aguardamos estratégias que devolvam a vitalidade ao nosso setor primário… à nossa pesca e à nossa agricultura, e que evidencie a riqueza que sabemos existir nos nossos mares e nos nossos terrenos agrícolas.

Aguardamos estratégias que valorizem os nossos jovens e que retirem a Madeira do topo da lista das Regiões do país com a maior taxa de risco de pobreza ou exclusão social.

Aguardamos verdadeiros compromissos com a Região, e não apenas discursos bonitos daqueles que dizem defender a Madeira, mas que, depois, votam contra o que aqui defenderam, em completa subserviência com os seus líderes partidários em Lisboa. Vejamos, por exemplo, a forma vergonhosa como os deputados eleitos pela Madeira votaram contra a baixa do IVA da eletricidade e contra o pagamento do IMI em 5 prestações, após a aprovação unânime no Parlamento Regional, ignorando as pretensões de milhares de conterrâneos.

Não há uma verdadeira mudança sem emprego, sem um sistema de saúde, sem o sector primário, sem um sistema de educação, sem empreendedorismo, sem cultura… estratégias que, ano após ano, não deixam de ser, apenas, infames “resoluções de ano novo”.

O certo é que nenhum dos partidos eleitos até hoje, pela Madeira, conseguiu trazer soluções para as autonomias. Muito se fala de VOTO ÚTIL, mas a verdade é que, até hoje, esse voto desembocou sempre em notórias inutilidades.

Temos, no final deste mês, a oportunidade de eleger seis deputados que nos irão representar. É necessário apostar num novo caminho, num caminho sem vícios e em partidos que defendam verdadeiramente a Madeira. Sem interesses instalados e sem amarras políticas a um passado que a todos nos envergonha.

Todos, Juntos, teremos de ser agentes de mudança. E que este novo ano traga consigo uma efetiva capacidade de mudança e emancipação cívica na nossa sociedade, que tem as rédeas nas suas mãos e que não pode esperar mais para definir o seu Futuro.

Bom ano para todos!.