Debates e candidatos

Em Portugal, a imprensa é fundamental para uma estratégia de campanha eleitoral de sucesso. É, também, através da imprensa que muitos formam a sua opinião política sobre os candidatos e o seu (de)mérito.

A televisão, em particular, continua a ser o meio mais privilegiado de acesso à informação, às mensagens dos candidatos, e a tudo o que estes possam defender em período eleitoral. Porquanto, a mensagem é tudo.

No fundo, os candidatos podem mostrar o que defendem, quem são, e o que pretendem alcançar. Mas o debate não é bom apenas para os candidatos. Também o é para o eleitor, que tem uma oportunidade de comparar ideias, posições e decidir em consciência em quem votar. São, portanto, momentos decisivos das campanhas eleitorais. Especialmente em período de pandemia.

É, neste momento, inequívoco que os debates acabam por ser mais importantes até do que os eventos de campanha, do que as ações de rua, relegando para segundo plano a tal 'política de proximidade' que tanto se apregoa, mas só se vê em período eleitoral. São verdadeiros 'momentos-chave', que exigem que todos tenham as suas frases feitas (os famosos 'bitaites'), alguns indicadores-chave (por norma, com o intuito apenas de atacar o seu opositor), e uma resposta politicamente correta para as perguntas difíceis.

Os debates com os cabeças de lista nacionais para as eleições legislativas que se realizarão a 30 de janeiro próximo começaram a 2 de janeiro. Não acredito que um cidadão comum tenha conseguido assistir aos 36 debates, mas se assistiu a pelo menos um debate com cada um dos partidos, é um bom sinal para a democracia.

O mesmo não poderei dizer sobre os debates televisivos entre os candidatos pelo círculo eleitoral da Madeira. O frente-a-frente televisivo promovido entre alguns dos candidatos regionais é um mar de agressões verbais que procuram culpar "o sistema", "o Governo", "o Estado", "o PS" e/ou "o PSD", mas servem apenas para disfarçar a impreparação de alguns dos candidatos. E muitos tropeçam na sua falta de conhecimento das matérias que estão em discussão.

Certo é que a democracia precisa de partidos políticos, mas, acima de tudo, precisa de pessoas que defendem causas e (re)conhecem as competências dos cargos para os quais se candidatam.

O círculo eleitoral da Região Autónoma da Madeira elege 6 representantes à Assembleia da República. Os debates que se têm realizado na Região são suficientes para compreendermos que, dos 16 candidatos cabeças de lista regionais, mais de metade não compreende, de todo, a importância da Autonomia. Poucos parecem conhecer as competências de um deputado da Assembleia da República e quais são, realmente, as obrigações da República em relação às Regiões Autónomas.

Há um esvaziamento ideológico da mensagem política dos candidatos, tornando-os voláteis à posição que mais votos possa trazer, dificultando a sua diferenciação junto do eleitorado. O que me faz recordar George Orwell, que defendia que o cidadão deve prestar atenção ao discurso político, pois é aí que nos permitimos compreender aquilo que pode ser posto em prática e aquilo que é apenas uma ilusão, uma promessa eleitoralista, impossível de se executar.

Com isto, perde a democracia, perdemos todos. Quando o eleitor não se revê em nenhum destes candidatos, que opções tem? Abster-se? E aí, poucos decidirão o futuro de todos. Por isso, deixo-vos um apelo: a 30 de janeiro, votem. Em consciência e em segurança.