A minha opção

Conheço Rui Rio e Paulo Rangel há décadas, sou amigo de ambos e tenho grande apreço pelos seus méritos e respectivo percurso político. O facto de tomar posição a favor de um deles nas próximas “directas” do PSD em nada afecta a consideração e estima que eles me merecem e declaro, desde já, que seja qual for o vencedor, contará sempre com a minha lealdade e apoio - pedra de toque da coesão interna de qualquer partido democrático.

Dada a proximidade entre as “directas” no PSD e as legislativas de 30/01/2022, é imperativo que a escolha dos militantes do PSD se concentre sobretudo em qual dos candidatos à liderança terá maior sucesso como candidato a primeiro-ministro. Tomando por base este critério, a minha opção recai, sem margem para dúvidas, sobre o actual líder do PSD.

Rio é um verdadeiro patriota, que conhece e sente a Nação Portuguesa em toda a sua plenitude. Por isso, é capaz de apreender as aspirações profundas do Povo Português e erigi-las em desígnio nacional, mobilizador das energias dos cidadãos e das suas organizações sociais, económicas, culturais e recreativas. Em cada momento, olhará para Portugal no seu todo e não apenas para a faixa continental, sendo sensível à existência de duas Regiões Autónomas e ao facto de quase metade da população portuguesa viver dispersa pelos cinco continentes. Tem a noção de que a Pátria Portuguesa assenta em instituições basilares, como a Família, as Forças Armadas, as Universidades, as Igrejas, nomeadamente a Igreja Católica, as Misericórdias, e mostra-se capaz de, uma vez na chefia do governo, defendê-las e valorizá-las. Colocará em primeiro lugar a defesa e divulgação da Língua Portuguesa e tem orgulho na nossa História. Potenciará os eixos estratégicos da nossa política externa, nas suas três vertentes: europeia, lusófona e transatlântica. Em suma, estamos perante um Político com dimensão de homem de Estado.

Rio é um social-democrata, na linha da tradição e da acção dos líderes históricos do PSD. Acredita na perenidade do ideal social-democrata, síntese de liberdade, iniciativa privada e intervenção reguladora do Estado. Afirma-se pela defesa dos princípios e valores da social-democracia, imortalizados no hino do PSD, através da tetralogia Paz, Pão, Povo e Liberdade. Aceita, como método de actuação, o reformismo, a tolerância e o pragmatismo. Para ele o PSD continua a ser um partido personalista, interclassista e intergeracional.

Rio tem qualidades pessoais de liderança. Antes de mais, um forte carisma, que é capaz de mobilizar as bases do Partido e o povo português para um projecto de ruptura com a política espectáculo e com todo o tipo de condicionamento e instrumentalização de órgãos de comunicação social e de grandes empresas, com vista à manutenção do poder. O Conselho Estratégico Nacional do PSD tem preparado um ante-projecto de programa eleitoral e de governo que enfrenta, de forma estruturada, os grandes problemas nacionais: o SNS, o desemprego, o endividamento, a estagnação económica, a pobreza e a injustiça fiscal. Um projecto que visa lançar a reforma da Justiça, criando condições para uma justiça pronta, sem deixar de ser justa. Projecto que se baseia numa visão integrada do país, esbatendo assimetrias e desigualdades, combatendo a desertificação do interior e atenuando o défice demográfico; que tem em vista a pacificação das escolas e advoga um sistema de ensino baseado no rigor, na exigência e na autoridade e competência dos professores e dos órgãos de gestão escolar. Um carisma capaz de fazer ver aos portugueses que a estagnação e o imobilismo gerados por uma opção governativa de esquerda não garantem a solução dos problemas do país, nem um futuro melhor para os portugueses. Que as energias da Nação se devem soltar para construir um Portugal mais livre, mais próspero, mais evoluído, atento à preservação da natureza, ao impacto das alterações climáticas e das novas tecnologias. Um carisma gerador de confiança e auto-estima, que privilegie o trabalho e o mérito.

Rio conhece a realidade política portuguesa. Sabe, nomeadamente, o que é a autonomia regional. Não confunde uma Região Autónoma com um qualquer distrito do Continente. Tem, na teoria e na prática, sido coerente com a orientação do PSD como Partido da Autonomia. Interpreta correctamente os princípios da subsidiariedade, da solidariedade, da coesão social e territorial, de acordo com a Constituição e o Tratado da União Europeia. Conhece os custos da insularidade, que estão na base do conceito de Regiões Ultraperiféricas, propondo-se defender a densificação progressiva desse conceito a favor das Regiões Autónomas. Pratica a autonomia e não a usa apenas para fins eleitoralistas.

Rio tem um carácter bem formado. Preza a verdade, é leal, honesto e generoso. É genuíno e autêntico, acredita sinceramente no que diz aos portugueses. Não é tacticista, nem manipulador. E goza da credibilidade de quem, na esteira de Francisco Sá Carneiro, põe acima dos interesses partidários a defesa do interesse nacional.

É com tais características que Rui Rio continuará a merecer a confiança dos militantes, sairá vencedor das directas e apresentar-se-á nas próximas eleições legislativas como candidato do PSD a Primeiro-Ministro de Portugal.