Caçoar com os ilhéus

Não pude deixar de sorrir quando vi a notícia da imprensa açoriana, que dava conta da reunião, ocorrida na semana passada em Lisboa, entre o Governo Regional dos Açores e o Governo da República de António Costa.

Do que foi noticiado, ficou evidente que foram Calendarizadas “soluções e clarificações até 15 deste mês, o que é uma vantagem contarmos todos, Governo da República e Governo Regional, com o entendimento das regras e das soluções”.

Temas variados vão ter solução, dizem: o financiamento da Universidade dos Açores; a clarificação do subsídio de mobilidade; a aplicação aos açorianos do programa Regressas que é só para portugueses do retângulo; as obras na cadeia de Ponta Delgada e a construção de um novo estabelecimento prisional.

Isto só me fez lembrar o mês de maio de 2018, em que António Costa, como vinha à Madeira jantar com a ACIF, aproveitou e resolveu falar com o Governo Regional.

Quis marcar reunião na casa do Representante da República (uma provocação patética) mas depois recuou e, obviamente reuniu com o Governo da Madeira na casa deste.

Aos mais distraídos, sugiro que revisitem a imprensa do dia 22 de maio de 2018 e facilmente perceberão o meu sorriso ao ler as notícias sobre o encontro com o Governo Açoriano, na passada quinta-feira.

Nessa altura o primeiro-ministro comprometeu-se com acabar com a querela sobre que parte pagaria da obra do novo hospital. Lê-se que “o primeiro-ministro confirmou que apoiará metade dos 314 Milhões de euros que constam do cronograma”.

Hoje, qual é a situação? O governo das esquerdas continua a querer “roubar” aos Madeirenses o Hospital dos Marmeleiros e o Hospital Dr. Nélio Mendonça, estando furiosamente casmurro quanto à sua pretensão de sempre: descontar o valor da avaliação destes dois hospitais, que são património da Região, ao valor a ser pago pelo retângulo!

Nessa mesma reunião ao estilo “desenrasca”, que o Governo da República improvisou só para não parecer que tinha tempo para um jantar na Madeira, mas não tinha para tratar de assuntos importantes para a vida dos Madeirenses, foi anunciado que Lisboa finalmente pagaria a dívida dos sistemas de saúde da PSP, GNR e outras forças, que estão a ser suportados pela Região embora constituam responsabilidade nacional. Eram mais de 17 Milhões nessa data. Quanto pagaram? Já imagina!

Sobre o subsídio de mobilidade então nem se fala. Já passaram anos e o PS faz de conta que não existe uma lei aprovada pela Assembleia da República, com o seu voto contra, que determina a regulamentação do sistema para que os insulares acabem com os adiantamentos.

Nada fizeram. (Os socialistas madeirenses, solidários com o chefe lisboeta, fazem-se de mortos).

Sobre as obras em edifícios do estado português ou a construção de novas instalações, nem se fala. Todos sabemos como têm sido empurradas com a barriga as prometidas e sempre adiadas novas esquadras de polícia ou em tribunais a cair de podre, uma vergonha e uma falta de respeito por quem se vê obrigado a trabalhar em tais condições.

Quanto à Universidade da Madeira, a braços com constrangimentos financeiros de toda a ordem, todos os anos recebe apoio do Governo Regional em mais de um milhão de euros, só em docentes. Reforço do financiamento? Uma miragem. Um embuste tantas vezes prometido mas sempre adiado!

Por último, mas não menos importante. A vergonha de um programa nacional que só apoia imigrantes no seu regresso se eles forem do continente português. Se forem nascidos nas ilhas, já não são portugueses e logo são ignorados por este programa feito à medida pelo Governo socialista de António Costa para penalizar os insulares.

Vai para meses a sistemática reivindicação da Madeira para que esta injustiça acabe.

Notícia deste domingo? A secretária de estado diz que vai reunir para perceber o que se passa.

Mas a reunião, que nem é presencial mas sim por meios eletrónicos, logo muito mais fácil de agilizar, só vai acontecer no fim de setembro.

Uma vergonha! Verdadeiramente uma atitude trocista para com os problemas diários dos nossos conterrâneos que pretendem Regressar!

É este o resultado das reuniões com o socialista António Costa!