O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade?

Finalmente é domingo. Não via a hora. Esta semana foi das mais cansativas que tive no último ano e meio. Bolas. Isto de poder andar na rua até às 23h tem que se lhe diga. O dia parece que nunca mais acaba. Que ganhou horas. Não sei explicar. Confesso é que já não estava habituado. Tanto que ali por quarta ou quinta feira já sonhava com novas medidas.

Qual não foi o meu espanto quando leio que o Dr Miguel Albuquerque se preparava para rever as que actualmente vigoram. Não estava a acreditar. Parecia telepatia. Eu a pensar mudar e o senhor Presidente a declarar publicamente a possibilidade disso acontecer. Fiquei feliz. Por momentos achei que finalmente a vida fazia sentido.

Qual quê? A ideia era piorar. Alargar o recolher obrigatório. Estender o horário da restauração. Permitir jantares até às 23h! Ainda pensei que fosse para alguma festa de aniversário. Sei lá... De uns 60 anos?! Mas não. Não era. Era só porque o responsável máximo reconhecia que “não é agradável uma pessoa estar a jantar e às 10h ir a correr para casa”.

Pessoalmente não vejo mal nenhum nessa correria. Assim como assim, já se vai desgastando o que se comeu. É uma questão de saúde. Está na moda o “mexa-se pela sua saúde”. Se não acreditam, basta irem ver com os olhos que Deus vos deu. Acedem às redes sociais e apreciem as fotos dos que têm motorista para serem deixados à porta (porque o carro não cabe, senão eram levados à mesa). Eles correm. Levantam pesos. Correm. Trabalham o abdominal. Correm. Saltam. Rebolam. Alongam. E ainda correm. Eu sei lá... Às vezes até acho que ainda acreditam que vão aos Jogos Olímpicos de Tokyo 2020.

Mas, voltando à questão incómoda dos horários das refeições noturnas... Se até às 22h não é tempo suficiente para jantar, vou ali e já venho. Depois disso, já não se chama jantar. Chama-se ceia. Cei-a, sr Presidente. Ok? Mais, não foi o senhor que disse, aqui há tempos, “levantem-se mais cedo” aos que queriam correr depois das 18 ou 19h? Hummm. Não deve ter sido. Ia jurar que sim. Parece que o estava a ver dizer isso. Mas pronto. Ainda bem que não foi. Senão agora arriscava-se a um “levante o rabinho da cadeira e saia da mesa mais cedo, que também faz bem”.

O que também faz bem são votos de saudação. Os últimos a merecer foram os enfermeiros. Sim, a classe operária da saúde. E estes adoraram a ideia. Diz-se até que, com isso, já esqueceram as greves e o congelamento da carreira. São assim. Contentam-se com pouco. Gosto de gente assim. Pessoas reconhecidas. Gratas.

Grato fico eu, mas é ao meu amigo Filipe Rebelo. Então não é que ele, que tinha saído da Sociohabita para abraçar um novo projeto, foi agora para uma casa a arder!? Faz algum sentido? Para mim não tem pés nem cabeça, mas tudo bem. Só espero que continue a receber da empresa pública. É que se está a pensar ganhar alguma coisa com o União, já pode ir tirando o cavalete da chuva... Coitado. Não há mais nada que não lhe aconteça.

A ele e ao examinador que foi arriado depois de chumbar um pretendente a condutor. Tem algum jeito? O jovem só demonstrou que está mais do que apto para ter carta. Pelo que tenho visto com quem me cruzo na estrada enquanto falo ao telemóvel, um dos predicados é achar que se tem sempre prioridade. Outro é estar preparado para andar à pancadaria. Saber conduzir? Bem. Isso era antes. Agora também é assim... Não deixa de ser sempre bom. Mas também não é por isso que se deve privar alguém de atrapalhar o trânsito.

Para finalizar, aproveito para mandar um abraço solidário ao segurança da UMa que ficou sem a mota na sequência de um assalto ao bar da universidade que vigiava. Ah, e já agora, dois abraços ao(s) meliante(s). Estão cada vez mais destemidos. Gosto. Passem cá em casa que eu tenho uns patins para vocês! E o irmão do 30 à vossa espera...

PS, agora é só esperar para ver se os ladrõezecos, à semelhança dos grandes, também lêem o JM.

Ah, já me esquecia. Estou a viver no Zmar!